Tudo no Faial tem de ser arrancado a ferros – Opinião de Luís Garcia
Publicado em 22 de Março, 2018

1. Na data em que este artigo será publicado está agendada uma manifestação pela defesa de mais e melhores acessibilidades aéreas ao Faial. Essa coincidência de datas levou-me a decidir não escrever hoje sobre esta temática, contrariando aquela que era a minha intenção inicial. Porém, entendo que, neste domínio, hoje o palco é de outros, embora também conte lá estar.
Escreverei, por isso, sobre outras acessibilidades – as terrestres – que também condicionam e muito o nosso desenvolvimento e quiçá, um dia destes, precisarão igualmente de uma manifestação forte que ajude a desbloquear os investimentos que precisamos e que há muito reivindicamos, designadamente a 2ª fase da variante e a requalificação de muitas estradas regionais e municipais. Também neste domínio temos de lutar e muito para “arrancar quase a ferros” as decisões do Governo. Não devia ser assim, mas no Faial, infelizmente, é!

2. A decisão do Governo de não construir a 2ª fase da variante é absolutamente incompreensível e condicionadora do nosso desenvolvimento. Por um lado, porque inviabiliza que a variante cumpra na plenitude os objetivos para os quais foi projetada, o de ligar o norte e o sul da Ilha sem se ter de passar pelo centro da cidade da Horta, libertando-a de muitos dos problemas de trânsito com que se depara atualmente.
Por outro lado, essa decisão é inaceitável porque tem óbvias implicações com outros investimentos complementares, tais como, a requalificação da Frente Mar da Horta e do Porto, a construção do novo Quartel dos Bombeiros e o reordenamento do trânsito na cidade.
Numa altura em que alguns desses investimentos, aparentemente, se vão desenvolver importa recolocar a construção da 2ª fase da variante nas prioridades dos investimentos regionais. Para indagar da disponibilidade do Governo para concretizar esse objetivo, os deputados do PSD eleitos pelo Faial dirigiram um requerimento ao Governo. A resposta demorou, mas chegou e não podia ser mais negativa para os interesses do Faial: o Governo não está disponível para concluir a variante.

3. Na resposta a este requerimento o Governo refere que face à falta de recursos financeiros decidiu não construir a 2ª fase da variante para dar prioridade à requalificação da estrada que liga o Largo Jaime de Melo à Ribeira do Cabo. Ora esta decisão é do início de 2015, estamos em 2018 e a verdade é que nem a variante foi concluída nem a “estrada do mato” foi reabilitada. Aliás, quando digo que o Faial é a terra da coisa rara, esta estrada é um bom exemplo disso, pois provavelmente é a única estrada regional que teve uma evolução singular e insólita, passando de alcatrão a piso de terra batida e lá permanece assim há 20 anos. E não é uma via qualquer! Esta e a outra que vai sair à Ribeira Funda, que também está em péssimo estado, têm enorme importância para a agropecuária e para o turismo pois ligam os principais pontos turísticos da ilha.
A esta problemática soma-se ainda a falta de manutenção que já é evidente em muitos outros troços da estrada regional à volta da ilha e que, a não serem alvo de intervenção a curto prazo, não levará muito até chegarem à degradação completa.

4. Porém, não é só da rede viária regional que os Faialenses têm razões de queixa, é igualmente da rede municipal. Objetivamente o Faial tem a pior rede de estradas municipais dos Açores. E pior do que isso é que agora ficámos a saber que não se pode falar no tema! Exercendo o seu mandato, os vereadores da oposição na Câmara visitaram e denunciaram o estado calamitoso de algumas vias municipais. Ora a reação da maioria socialista protagonizada pelo Vice-presidente da Câmara e ainda líder do PS no Faial foi absolutamente inaceitável, antidemocrática e típica de regimes totalitários que querem controlar tudo e todos. Subjacente a este tipo de reação, comum a uma geração de socialistas que sempre viveram à sombra do poder, está uma visão altamente deturpadora e enviesada do funcionamento de um regime democrático e da liberdade que tem prejudicado e muito o Faial.
Há, no entanto, na reação socialista um aspeto que ficou por esclarecer: o que fizeram com o dinheiro quando os fundos comunitários previam investimentos em estradas? Fizeram o saneamento básico? Claro que não, gastaram-no em folclore político para se perpetuarem no poder e o Faial ficou para trás!
O desenvolvimento do Faial passa também por arrancarmos da Câmara, esta gente que tem estado à frente dos destinos do Faial e que nos tem deixado no atraso em que estamos!