Dar e receber – Opinião de João Bruto da Costa
Publicado em 26 de Março, 2018

“Dai a César o que é de César”, é expressão que conhecemos vai para dois milénios e que, de certo modo, se traduziu no saber popular: “o seu a seu dono”.

Depois de recentes declarações de outro César, que não o imperador, ficámos a saber que é essencial “dar à política o que é da política”, ou não fosse esse o mote de vida deste outro César, que foi dos Açores para Lisboa com a política como motivação dessa deslocação.

Disse César (o atual) que nunca a sua vida dependeu da política, o que só é possível ser dito porque, compreendemos agora, foi sempre a política que dependeu de César.

Não dar a César o que é de César será como não dar à política o que é da política, ou seja, seria de todo injusto não dar à política a frutuosa carreira deste César, toda ela consagrada de punho fechado, desde os tempos de estudante em Ponta Delgada, depois em Lisboa e de regresso a Ponta Delgada, recrutado pela política que cedo descobriu que não viveria sem ele.

Calem-se então os descrentes que pensavam que tinha sido este César a precisar da política para viver e dar futuro à família. Foi exatamente ao contrário, foi a política que não seria capaz de prosseguir vivendo as últimas 4 décadas sem o seu César.

Dai, então, à política o que é de César.