Fenómeno do loop energético… – Opinião de Catarina Furtado
Publicado em 23 de Fevereiro, 2018

A senhora Secretária Regional da Energia Ambiente e Turismo num anúncio feito esta quarta feira sobre a abertura de um concurso para a concessão e exploração de 26 pontos de carregamento elétrico rápido, distribuídos pelas 9 ilhas, aproveitou para informar que o Governo Regional, além da rede pública de postos de carregamento, também está a desenvolver um quadro legislativo regional que visa, entre outras coisas, a criação de incentivos financeiros para a aquisição de veículos elétricos.

Fiquei naturalmente satisfeita com estas medidas, essencialmente por considerar que constituem um importante passo para uma real aposta estratégica na mobilidade elétrica, se bem que apregoar este conjunto de intenções de nada serve se não se passar à concretização.

Apesar da satisfação, na altura da tomada de conhecimento deste anúncio, senti-me invadida por aquela sensação de quem se vê apanhado num loop. Ou seja, tive a real impressão que já tinha ouvido a mesma coisa antes.

A verdade é que às vezes a memória me falha, mas sou pessoa com tendência para guardar muitos daqueles tesourinhos que são as notícias das áreas pelas quais tenho especial interesse, a Energia é uma delas.

Confirmou-se – Afinal nada disto é novo!

Facilmente compilei algumas notícias com anúncios das governantes em matéria de Energia, muito pouco singulares, convenhamos, sobre as intenções e medidas para promoção da mobilidade elétrica na Região.

Ora em janeiro de 2017, há mais de um ano, portanto, a senhora Secretária da Energia, Ambiente e Turismo, sobre a estratégia de mobilidade elétrica, anunciava que o Governo iria, nesse ano, criar incentivos de aquisição de viaturas elétricas, transpor legislação nacional sobre a matéria e proceder à “apresentação e discussão do Plano de Mobilidade Elétrica dos Açores”. Aliás numa notícia do telejornal da RTP Açores de 24 de janeiro de 2017, a governante, bem mais exigente, disse que a discussão do Plano de Mobilidade Elétrica dos Açores seria feita no primeiro semestre de 2017.

Em março de 2017 a Diretora Regional da Energia, na conferência “Energy and Mobility for Smart Cities”, garantiu que a mobilidade elétrica e sustentável seria uma realidade nos Açores naquele ano. Na notícia em causa, em que repetia quase todo o discurso de janeiro da Senhora secretária, dava nota de que o Governo Regional dos Açores estava a implementar “um programa da mobilidade elétrica, inteligente e sustentável: o Mob(in)Azores”, que passaria, numa primeira instância, por transpor e adaptar a legislação nacional e “projetar, do ponto de vista estratégico e operacional, o programa”. Acrescentou na mesma nota que estavam a ser “desenvolvidos sistemas de incentivo financeiros e não-financeiros para a aquisição de veículos elétricos em detrimento de veículos com motor de combustão interna…”.

Em março de 2017, em audições nas comissões de Economia e dos Assuntos Parlamentares, Ambiente e Trabalho e em abril de 2017, no encerramento do 1.º Encontro com a Eficiência Energética, a Senhora Secretária Regional da Energia, Ambiente e Turismo renovou as “promessas” de aposta em novos modelos de mobilidade, por via da criação de sistemas de incentivos.

Fico por aqui, julgo que ficou claro que a mesma ladainha vai-se repetindo de tempos em tempos para dar a ideia de que se está a fazer muito, quando de facto se faz pouco.

Continuamos sem nada de concreto, a transposição e adaptação do Programa Mob(in)Azores tarda em se tornar uma realidade (nem quero imaginar se tivessem de desenhar um programa de raiz!) e quanto aos sistemas de incentivo para a aquisição de viaturas elétricas, esses nem vê-los…

É esta a aposta estratégica do Governo do Açores no âmbito da mobilidade elétrica? Parece que sim… Enfim, parece que vamos ter de continuar a “gramar” com este loop energético…