Desenvolvimento harmonioso – Opinião de João Bruto da Costa
Publicado em 29 de Janeiro, 2018

Com o advento da democracia, os Açores iniciaram o seu trajeto de desenvolvimento comum.

Ilhas que, ao jeito dos distritos “adjacentes”, caminhavam ao sabor centralista viram-se, finalmente, ao comando dos seus destinos.

Promoveu-se o sentido do todo regional numa premissa simples: o desenvolvimento harmonioso. Fomentou-se a solidariedade, a entreajuda e a compreensão para os problemas de cada parcela de uns novos Açores.

Com o virar do século, este conceito perdeu vigor e desde aí iniciou-se um perigoso processo de individualismo que hoje quase roça a inveja.

Começou-se por querer ter ilhas em que umas são da chamada coesão e outras nem tanto. Criou-se uma divisão artificial de tal forma irrealista que hoje há maiores problemas sociais onde não se proclamou coesão. Incitaram-se bairrismos e estabeleceram-se distinções que, ao invés de consagrar a ideia de que “não fica ninguém para trás”, aumentou o fosso entre ilhas e entre comunidades dentro da mesma ilha, elevando o sentimento de injustiça pelo percurso tomado.

É tempo de revisitar as razões que levaram a uma autonomia de resultados que hoje é feita de disputas estéreis que só servem a quem dividiu para reinar. Por isso, falar de desenvolvimento harmonioso deve ser tudo menos coisa do passado.