Desafios para o ano novo – Opinião de Luís Garcia
Publicado em 10 de Janeiro, 2018

1. Entrámos em 2018 com o lamentável acidente do navio “Mestre Simão” que sobressaltou e assustou esta Comunidade do Canal e do Triângulo e que marcou o início deste ano. Naturalmente que este acontecimento também nos lança novos e exigentes desafios. Porém, hoje, quero apenas saudar e enaltecer o trabalho e a atuação do Mestre e de toda a tripulação, bem como, de todos os que de alguma forma participaram na evacuação e no salvamento de todos os passageiros. Faço-o também de forma muito particular e sentida.
Uma palavra igualmente para os funcionários da Atlânticoline que estavam de greve e que a suspenderam face a este acidente.

2. O ano velho ficou marcado no Faial pela luta por dois investimentos: o reordenamento do porto e a ampliação da pista do aeroporto. Infelizmente ainda estamos longe de atingir nestes domínios os nossos objetivos, pelo que esta luta marcará seguramente 2018. E para que não cheguemos ao final deste ano igualmente sem grandes resultados, importa, por um lado, que analisemos e percebamos onde estão os obstáculos que impedem a concretização destes investimentos e, por outro, reflitamos sobre a atuação das nossas instituições e da nossa comunidade na condução desta luta. Uma conclusão parece-me óbvia: a metodologia seguida até agora não tem produzido grandes êxitos.
Se em termos de objetivos finais estamos todos mais ou menos sintonizados, em termos de estratégia para lá chegar estamos muito longe da sintonia necessária. Falta-nos definir uma estratégia e um discurso comuns e falta-nos liderança. Enquanto alguns no Faial continuarem a orientar a sua atuação não pela defesa intransigente do Faial, mas pela subserviência partidária não conseguiremos atingir os nossos objetivos. O PS do Faial, apesar de alguns sinais dados pelos eleitores, ainda não percebeu essa realidade. Os bloqueios que o desenvolvimento do Faial enfrenta só serão debelados com uma plataforma de entendimento entre todas as forças vivas e instituições desta ilha, incluindo partidos políticos. A atuação isolada e de cada um para seu lado não tem objetivamente resultado. Este é um grande desafio da nossa comunidade para 2018.

3. A audição da Secretária Regional dos Transportes, na Comissão de Economia da Assembleia Regional, em dezembro passado, sobre a petição que reivindica a ampliação da pista do nosso aeroporto é um bom exemplo daquilo que acabo de escrever e da necessidade de repensarmos a nossa atuação.
A Secretária reafirmou que o Governo defende este investimento, mas não revelou nem iniciativas nem vontade política para o concretizar. Bem, pelo contrário! Perante a questão se considerava este um investimento estratégico para o Faial e para os Açores, afirmou que quem tem de definir se este investimento é ou não estratégico é a ANA/Vinci, revelando uma visão deturpada da coesão e do desenvolvimento regional e um desconhecimento da importância deste investimento.
A Secretária e o Governo mantêm-se presos ao processo de privatização da ANA e ao argumento de que a infraestrutura é privada, esquecendo que apoiaram e apoiam, e bem, muitos investimentos privados quando lhes reconhecem interesse público.
A verdade é que independentemente do erro cometido aquando da privatização da ANA, se houvesse vontade política e se o Governo entendesse este investimento como estratégico para o nosso desenvolvimento, a sua concretização seria obviamente possível.

5. O que poderia então fazer o Governo regional? Poderia e deveria liderar este processo. Por exemplo, poderia e deveria reunir com a ANA e com o Governo da República para avaliar e estudar a alteração do contrato de concessão e para lhes propor uma parceria com vista à realização deste investimento. Já o fez? Não!
Poderia e deveria estudar as possibilidades de financiamento deste investimento por fundos comunitários, incluindo uma candidatura ao Plano Junker. Já o fez? Claro que não!
Poderia e deveria avaliar e dar resposta ao estudo que foi feito pelo Grupo de Trabalho criado pela Câmara Municipal. Já o fez? Que tenhamos conhecimento também não!
No fundo o Governo poderia, utilizando a narrativa socialista, chegar-se à frente e obrigar os outros parceiros a se definirem. Ora pela audição da Secretária percebemos que nada disso foi feito e, mais grave, que não há disponibilidade para o fazer. Temos, portanto, um Governo que diz defender a ampliação da nossa pista, mas que nada faz para a concretizar. Esta objetiva falta de vontade política do Governo Regional é um forte obstáculo à concretização desta reivindicação dos Faialenses.
Que o ano novo traga avanços nestas aspirações dos Faialenses.
A todos um bom ano.