Década perdida – Opinião de João Bruto da Costa
Publicado em 02 de Janeiro, 2018

Ano novo vida nova, diz-se em renovados votos de melhores tempos e melhores vidas.

Neste ano novo, precisamos melhores vidas e melhores tempos para os mais mil açorianos que engrossaram as fileiras da pobreza entre setembro e novembro de 2017, aumentando os beneficiários do RSI.

O facto de ter havido eleições em outubro é uma infeliz coincidência para o aumento da pobreza. Ou então ainda andam por aí alguns munidos dos requerimentos de porta em porta em troca de uma campanha personalizada de luta contra a pobreza e, claro, uns votos bem contabilizados na dependência de um futuro melhor.

Mas se a pobreza era já uma realidade, ela agarrou-se à crise na pesca e ao resgate do setor, à crise na lavoura com o fim das quotas leiteiras, à crise da construção civil e à crise do resgate socialista em nome de Sócrates.

Dez anos volvidos dos Açores socialistas em celebração da 1ª década de implementação do RSI e da passagem de uma vintena de anos da sua criação, o regime, finalmente, diz querer ter uma estratégia de luta contra a pobreza.

Lamentavelmente, na última década, consolidou-se uma dependência intergeracional de ciclos de pobreza, muito útil ao cacique de esquina, que levará mais de uma década a poder ser erradicada.