Traz parente – Opinião de João Bruto da Costa
Publicado em 18 de Dezembro, 2017

Na discussão sobre o exercício de cargos públicos, de autoridade pública ou com acesso a subsídios públicos a questão da transparência é fulcral para procurar eliminar zonas de possível abuso e onde alguns conseguem actuar em sentido contrário àquele que é o interesse geral e, por arrasto, em benefício próprio ou de outrem, mas raríssimas vezes, legítimo.

Questão mais ambígua é conseguir que alguns servidores partidários, munidos de ideologia aos quilos, percebam que “transparente” não é “traz parente” e evitem dar guarida no erário público a tudo quanto mexe lá em casa e que possa ter uma função nem que seja de “herdeiro da parada”.

Nisso ninguém ultrapassou, que haja memória, o socialismo luso, continental e ilhéu, que investido no poder logo arranja lugar para aquele grupo mais restrito de “confiança política”, e nesse capítulo nada como começar pelos laços de parentesco, por afinidade ou genéticos, pois a causa comum é também a casa comum.

Nada disso seria necessário se o significado de ser “transparente”, quando o socialismo se empossa, conseguisse não infestar o Estado com os familiares e amigos e aquele juramento não significar “traz parente” e nessa medida não distribuirem benesses, cargos e lugarinhos lá por casa.