Telemetria(s) – Opinião de Mónica Seidi
Publicado em 07 de Dezembro, 2017

Escrevo estas linhas na dupla condição de médica e de deputada regional eleita pela Ilha Terceira.

Lembro, como qualquer outro terceirense, que o Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT), uma infraestrutura pujante e moderna, é o único que existe na nossa ilha.

Escrevo porque trabalhei no “velhinho” Hospital de Angra, com Telemetria, e no “novo” HSEIT, sem Telemetria. Muito antes de imaginar ou ambicionar que um dia teria responsabilidades politicas perante os terceirenses.

Escrevo também porque, em março deste ano, portanto há 7 meses, e após discussão do Plano e Orçamento para 2017, manifestei a minha indignação pelo facto de alguns deputados eleitos pela Terceira terem votado contra uma proposta do CDS, que com uma verba mínima de 25 mil euros, remediava a ausência de aparelhos de Telemetria avariados desde 2012.

Possivelmente esses senhores deputados desconhecem a finalidade de um aparelho de Telemetria. Mas têm sempre a opção de tentar saber ou de perguntar a alguém que saiba. E assim aferir o que se pode minimizar de carências, bem como os ganhos que essa tecnologia pode trazer aos doentes.

Passados 7 meses nada mudou! Continuamos sem aparelhos de Telemetria no Hospital que serve a nossa ilha. E os mesmos deputados do PS continuam a votar contra quem sugere que os devíamos ter!

É certo que a iniciativa, como já referi anteriormente, é do CDS. Mas atendendo a que a Saúde é um bem essencial, entendi também defender esta iniciativa, dado que beneficiaria a qualidade de vida dos terceirenses.

Nos dias que correm, é inadmissível que uma infraestrutura moderna como o nosso hospital, não acolha estes equipamentos “básicos” desde 2012! Em 5 anos, teriam servido para monitorizar muitos doentes, entre outras coisas.

Observando anteriores planos regionais, podemos ver que, em 2014, houve verba para os ditos aparelhos, mas o procedimento para aquisição de equipamentos não se concluiu em tempo útil, de forma a executar a verba na vigência do plano. Já em 2015, a Telemetria não era contemplada na versão inicial do plano regional, mas apareceu na versão revista. Qual não foi o meu espanto, quando o relatório de execução do plano aponta que foi executada a verba de 75.048 euros. Só que continuamos sem telemetria…

Chegamos a 2017, mas infelizmente o cenário não mudou!  No plano regional, não há descrição especifica para aquisição de sistema de Telemetria, há sim uma ação para Apetrechamento e Modernização, onde devia estar inscrita a verba destinada à Telemetria do HSEIT. Mas quando se olha para a desagregação espacial, onde estão distribuídas as verbas por ilha, a Terceira não é contemplada com qualquer verba para a referida ação. Pelo que apenas pergunto: Onde está a Telemetria?

Estranhamente, o senhor secretário da saúde veio agora anunciar que a Telemetria já constava no plano de 2017. Depois de, na discussão do mesmo, não ter feito qualquer referência ao facto. E o mesmo se passou em 2018. Para tal, basta confirmar os relatórios das audições que antecederam a votação do mesmo.

Lamento profundamente, enquanto médica, que esta decisão se tenha mantido ao longo destes anos. Mas também confio plenamente que a mesma estará resolvida. Só falta mesmo agendar a instalação dos aparelhos.

Enquanto deputada, lamento que a questão não se tenha resolvido em 2014 ou 2015, quando havia verba especifica para a mesma. E que isso também se tenha verificado em 2017, após o chumbo do partido que suporta o governo, e que tem maioria parlamentar.

Torna-se assim prática habitual nesta Região, que tenha de ser a oposição a denunciar, para que depois a tutela queira resolver. Sendo que, neste caso, foram doentes a sofrer as consequências das más decisões políticas.

Reitero que, tratando-se da Saúde dos açorianos e dos terceirenses, é mais grave ainda que assim seja.