Notas do Plenário (novembro de 2017) – Opinião de Mónica Seidi
Publicado em 14 de Dezembro, 2017

No passado mês de novembro, e no âmbito da discussão do Plano e Orçamento para 2018 na Assembleia Regional, ficou novamente claro que o PSD /Açores não se revê nos documentos apresentados.

Entre as várias propostas, suscitavam desde logo grande curiosidade os 3 milhões de euros inscritos para o programa “Terceira Tech Island”, importando perceber como irá ser gasto o dinheiro. E que de forma a iniciativa vai beneficiar a economia da ilha Terceira e melhorar a qualidade de vida dos terceirenses.

Assistimos, em plenário, ao desmerecimento do vice-presidente do governo, Sérgio Ávila, relativamente às questões levantada sobre esse assunto. O que não foi uma novidade, e que se enquadra na atitude do Executivo em relação a certas matérias, anunciando medidas sem avaliar as suas consequências. E este é, sem dúvida, mais um exemplo disso mesmo.

Quando se achava que pior era impossível, eis que o vice-presidente do governo regional também fugiu à questão formulada sobre o parque habitacional da Base das Lajes. Não explicando como podia estar a oferecer as cerca de 400 casas anunciadas como habitação disponível, no vídeo promocional do projeto “Terceira Tech Island”, se as mesmas não pertencem nem a Portugal nem à Região.

Sérgio Ávila preferiu adotar uma postura de pura demagogia, atirando as críticas ao PSD e à oposição, quando foi claro que não sabia responder à questão. Tendo depois de ser o presidente do governo a vir emendar a mão, revelando o interesse da Região nas referidas casas.

No que concerne ao projeto em si, de uma forma global, nada tenho nada contra, apenas gostaria que me tivessem respondido relativamente ao seu funcionamento e às suas eventuais qualidades e vantagens.

Quanto à questão das casas, tenho obviamente outro entendimento. Como pode a Região oferecer algo que não lhe pertence? Será que o vice-presidente do governo não acha que as casas da Base são uma valia para a obtenção de contrapartidas nas negociações em curso com os norte-americanos? Continuamos sem saber, mas o facto é que, depois do debate, o vídeo promocional do “Terceira Tech Island foi reeditado. E imaginem que as imagens das ditas casas desapareceram…Já agora, fica a nota: Falta “atualizar” a versão que está no site Investinazores. As casas ainda estão lá!

A proposta de orçamento de Defesa dos EUA, impõe um estudo com a hipótese de os familiares dos militares norte-americanos voltarem a residir na Terceira. Receber aquelas casas nas condições em que se encontram atualmente, seria perder um importante ativo. E significa, sobretudo, desistir de procurar alternativas para a Base das Lajes, numa altura em que as casas não foram aceites pela República.

Além disso, as casas estão vandalizadas, e os custos de adaptação e requalificação das suas estruturas principais como água, esgotos e eletricidade, são elevados. Além de que não é verdade que estejam prontas a habitar, pois a sua reabilitação levará tempo e custará milhões. Quem se responsabilizará por isso? É nestas intervenções que serão gastos os 3 milhões? A tudo isto, Sérgio Ávila não respondeu.

Infelizmente, e fruto das sucessivas promessas por cumprir, continuamos a afirmar que as apostas prioritárias dos diversos governos do PS prejudicam a Ilha Terceira, na medida em que são urgentes investimentos sérios e dignos para dinamizar a nossa economia da nossa ilha. Relativamente a isto, o Plano que foi aprovado, apenas com votos favoráveis do PS, é mais do mesmo. Tratou-se de uma cópia de planos anteriores, com os itens que continuam por cumprir.