PSD/Açores propõe verba para reabertura das salas de pequena cirurgia encerradas pelo Governo regional
Publicado em 10 de Novembro, 2017

O grupo parlamentar do PSD/Açores vai propor uma verba para a reabertura das salas de pequena cirurgia nos centros de saúde da Ribeira Grande e de Ponta Delgada encerradas pelo Governo, uma decisão que criou um novo problema e que faz aumentar o número de utentes nas listas de espera cirúrgica na Região.

Luís Maurício explica que o número de doentes inscritos em pequena cirurgia “aumentou quando a sua execução foi centralizada no Hospital do Divino Espírito Santo”, em Ponta Delgada”, e defendeu “a descentralização e o restabelecimento dos cuidados de proximidade” para aliviar as listas de espera cirúrgica.

O deputado e porta-voz do PSD/Açores para a Saúde frisou que, segundo dados oficiais, a 30 de junho estavam inscritos no Hospital do Divino Espírito Santo 807 utentes para pequena cirurgia e a 30 de setembro último esse número aumentou para os 1251 utentes.

“Existem 1251 utentes que estão a sobrecarregar, muitos deles sem necessidade, as listas de espera cirúrgica pela opção que consideramos errada do Governo regional de as centralizar no Hospital de Ponta Delgada”, explica.

“A manter-se essa progressão estamos perante um novo problema. Em função disso, o PSD/Açores vai propor uma verba para que sejam reabertas as salas de pequena cirurgia e para que esses utentes inscritos para a pequena cirurgia possam também incorporar a produção cirúrgica adicional”, adiantou hoje Luís Maurício em conferência de imprensa.

O porta-voz dos social-democratas açorianos para a Saúde salientou ainda que o partido vem propondo há seis anos consecutivos, em sede de discussão dos sucessivos Planos Anuais da Região, verbas para financiar a produção cirúrgica adicional nos Açores, verbas que o PS, partido que suporta o Governo, vem chumbando desde 2014.

No final de setembro último estavam inscritos nas listas de espera cirúrgicas da Região 11.358 utentes do Serviço Regional de Saúde, segundo dados do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia dos Açores, que funciona junto da Saudaçor, número acima dos cerca de 9000 utentes que aguardavam por uma cirurgia em 2013.

“O PSD/Açores vem alertando desde 2013 para a necessidade de se executarem medidas com vista a uma resposta rápida e eficaz aos utentes, cada vez em maior número, que aguardam por uma cirurgia nos Açores. Mas só dois anos após as propostas do PSD/Açores, o Governo instituiu a produção cirúrgica adicional, limitada a 25% dos doentes operados em tempo normal”, afirmou o deputado.

Luís Maurício não deixou de apontar a discordância do PSD/Açores com os moldes em que será executada, em 2018, conforme anunciou o Governo, a produção cirúrgica adicional na Região, desde logo no que respeita ao limite da produção cirúrgica adicional (fins de tarde e fins de semana) a 35% da produção em horário normal de trabalho.

“Não faz sentido fixar limites de 25% ou de 35%, como anuncia o Governo. Entendemos que o limite à produção cirúrgica adicional deve ser determinado pela capacidade dos profissionais em operar”, afirmou, sublinhando que a capacidade de operar fora do horário normal de trabalho varia em função do número de clínicos de cada especialidade.

Luís Maurício lamenta que o Governo não acautele a complementaridade entre os três hospitais da Região, “possibilitando a deslocação de médicos entre eles e operando os doentes nas suas ilhas de residência ou, perante consentimento do próprio doente, e quando clinicamente possível, operando o doente num hospital diferente daquele em que ele está inscrito”.

“A complementaridade entre os três hospitais da Região não é um conceito teórico. E essa complementaridade só se concretiza mediante um registo informático integrado dos doentes em espera para serem operados nos três hospitais”, explica o deputado.

Luís Maurício registou ainda que o Governo, que aprovou em março no Plano da Região para 2017 uma verba de 175 mil euros para executar o programa CIRURGE, programa de recuperação de listas de espera cirúrgica, submeta agora ao parlamento uma verba cinco vezes superior para executar o mesmo programa, verba essa que o PSD/Açores considera ainda assim insuficiente para atingir o objetivo proposto mas também porque há necessidade de potenciar a produção cirúrgica adicional.

O PSD/Açores vai propor, em sede de discussão do Plano e Orçamento da Região para 2018, que acontece na última semana de novembro, uma verba de 1 milhão e 500 mil euros para o combate às listas de espera cirúrgica.