Desregulados – Opinião de João Bruto da Costa
Publicado em 30 de Outubro, 2017

Jaime Gama definiu, de forma desassombrada, a orfandade e desorientação estratégicas da governação e, por acréscimo, da autonomia.

Na verdade, o arrastamento no poder dos que andaram toda a vida à margem de serem cidadãos comuns – uma espécie de elite, mas ao contrário – criados nos erros do regime ao querer a manutenção do poder custe o que custar, levou à completa ausência de autocrítica.

É também verdade, e ainda há dias tivemos a oportunidade de o salientar, que onde há governo a mais deve existir mais mecanismos de controlo das atividades da administração.

O laxismo crente da maioria parlamentar, absolutamente dependente da administração pública por via das nomeações políticas e dos lugares executivos – como se tem provado em sede de algumas comissões parlamentares – não pode ignorar que o regime terá tendência a implodir pela ausência ou ineficiência dos tais mecanismos de controlo.

A ausência de prevenção dos fenómenos que levam à possibilidade de corrupção, por exemplo, é hoje uma realidade que já levou um membro do governo a pedir socorro aos restantes reguladores da sua área de atuação.

É simbólico, mas é, também, altamente preocupante.