Mais um verão com os mesmos problemas – Opinião de Luís Garcia
Publicado em 28 de Julho, 2017

1. As acessibilidades aéreas ao Faial estão de novo a marcar este verão e a estrangular o nosso desenvolvimento e a nossa mobilidade. São os problemas de operacionalidade do aeroporto, os preços altos das tarifas na rota direta Lisboa-Horta e a falta de lugares nos voos que estão seriamente a obstaculizar a mobilidade de quem aqui vive e de quem aqui quer vir, bem como, a economia desta ilha.

Infelizmente estes não são problemas novos, pois já se verificaram em verões anteriores, sem que o Governo Regional e a SATA tenham tido capacidade ou vontade de os debelar ou atenuar.

2. Na semana passada com a divergência de mais dois voos do aeroporto da Horta para o Pico ficou bem patente, mais uma vez, os constrangimentos daquela infraestrutura e a necessidade de ampliação da sua pista e de ser implementado, com urgência, o sistema RISE, prometido para o primeiro trimestre deste ano.

Tem sido muito estranho o silêncio do Governo e da SATA sobre este assunto. A 3 de abril deste ano, os deputados do PSD eleitos pela ilha do Faial entregaram, na Assembleia Regional, um requerimento solicitando explicações para o não cumprimento da data avançada para a implementação do RISE e onde também questionavam o Governo sobre a nova data para a entrada em funcionamento dos testes do sistema no nosso aeroporto. O prazo (60 dias) para o Governo responder a este requerimento está largamente ultrapassado e, até esta data, a resposta não chegou.

Agora perante a divergência de mais um voo para outro aeroporto, aparentemente por falta de visibilidade e/ou ‘teto’ de nuvens baixo, o porta-voz da SATA veio dizer que o atraso na implementação deste sistema é da responsabilidade da Autoridade Nacional de Aviação Civil. Mas se é assim, porquê esta demora em responder ao requerimento? Estou convencido que há mais qualquer coisa que ainda não sabemos, ou melhor, que ainda não nos quiseram dizer. Mas, tarde ou cedo, vai saber-se…

3. A problemática das ligações aéreas ao Faial também padece de uma estratégia sorrateira que visa não estimular a utilização da ligação direta entre Lisboa e a Horta. Os passageiros, por via do preço das tarifas, são encaminhados e incentivados a utilizarem outras portas de entrada ou de saída, especialmente Ponta Delgada, para chegarem ou saírem do Faial. Ou seja: é geralmente mais barato chegar ou partir do Faial via outra ilha do que fazê-lo na ligação direta Lisboa-Horta. É compreensível esta política de preços da Azores Airlines? Só se for no âmbito da tal estratégia de esvaziar a rota Lisboa-Horta. Isso comprova que a defesa desta rota tem estar no topo das preocupações do Faial.

4. Para além dos problemas operacionais do aeroporto e do preço das tarifas, por esta altura quem quer vir ou sair do Faial confronta-se igualmente com a falta de lugares disponíveis nas ligações diretas Lisboa-Horta e nas inter-ilhas, especialmente na rota Ponta Delgada- Horta.

Assim constata-se que, em mais um verão, a reivindicação do Faial de ter, pelo menos, 14 ligações diretas semanais entre a Horta e Lisboa, nos meses de julho e agosto, é justa e absolutamente necessária. Agrava ainda esta situação o facto de a SATA se revelar igualmente incapaz de responder nas ligações inter-ilhas com uma oferta de lugares adequada às necessidades desta ilha.

Vejamos um exemplo concreto: entre 24 de julho e 12 de agosto, vinte dias consecutivos, uma família composta por dois adultos e duas crianças não consegue viajar de São Miguel para o Faial. No percurso contrário, de 13 a 20 de agosto, esta mesma família só consegue viajar para São Miguel com escala na Terceira no dia 17, e não consegue viajar em 7 (sete) dos 8 (oito) dias considerados.

5. Esta falta de lugares exige uma intervenção imediata da SATA e do Governo no sentido de assegurar a mobilidade, desde logo, de quem vive nesta ilha e precisa de se deslocar, muitas vezes por razões de saúde, mas também para garantir que quem nos quer visitar o possa fazer.

Por outro lado, o Governo tem de dar orientações claras à SATA para promover adequadamente a rota direta Lisboa-Horta e para que, no futuro, faça um planeamento mais rigoroso e atempado que responda às reais necessidades e potencialidades de cada ilha e evite estes constrangimentos que se vêm repetindo há vários verões no caso do Faial.

Se houvesse vontade política e se houvesse no Faial políticos e dirigentes do PS que tivessem crédito regional, que fossem ouvidos e tivessem alguma influência nas decisões muitos destes problemas estavam há muito resolvidos.