Liberdade – Opinião de João Bruto da Costa
Publicado em 24 de Julho, 2017

Liberdade e democracia são conceitos indissociáveis?

Será que uma democracia consagra sempre a liberdade?

Se alguém é livre para afirmar que um partido tomou conta dos serviços da administração e empresas públicas, nomeando dirigentes e gestores ao sabor da obediência partidária, transformando o Estado numa verdadeira coutada do partido do poder, e com esse domínio atribui lugares a quem se dispõe a não criticar, a não questionar ou a não contrariar o diretório partidário.

Quando alguém é livre de denunciar que uma maioria condiciona a administração e institutos ou empresas públicas, levando a uma quase obrigação de militância partidária dos seus subordinados. Ou quando se é livre para denunciar que um regime consagra a dependência dos cidadãos no acesso ao trabalho, ao empreendedorismo ou à realização de projetos profissionais, será que nestes casos, em democracia, podemos assegurar que a liberdade resulta da possibilidade de confrontar o público com estes comportamentos?

Não, não podemos dizer que existe verdadeira liberdade.

Verdadeira liberdade, em democracia, é quando o modelo de governação não tem este tipo de comportamentos, pois ainda que não impossibilitando a denúncia política da sua ocorrência, leva a que muitos vivam condicionados perante quem assume o poder.

Quando há medo não existe liberdade.