Euforia no turismo, e a Graciosa? – Opinião de João Bruto da Costa
Publicado em 02 de Março, 2016

Decorria o ano de 2012, quando Vasco Cordeiro, já no seu terceiro cargo como membro dos governos do PS, ocupando o lugar de Secretário Regional da Economia que era responsável pelo turismo e transportes, foi à ilha Graciosa para inaugurar o quartel de bombeiros do aeroporto.

Já depois de “nomeado” como candidato a Presidente do Governo, Vasco Cordeiro era confrontado com os maus números do turismo que, também então na Graciosa, exigiam medidas de melhor mobilidade e acesso à ilha. Nesse sentido, anunciou que iria criar um programa de promoção da ilha Graciosa no exterior, com a particularidade de “o exterior” para o caso serem os restantes Açores.

Nunca se conheceu a cor da campanha de promoção da Graciosa anunciada por Vasco Cordeiro, nem tão pouco se revelaram melhorias na chegada de turistas à ilha que, com algumas oscilações, vê a sua oferta ficar para trás no contexto regional.

No último ano, o turismo dos Açores foi beneficiado com uma revolução no modelo de acessibilidades, coisa que Vasco Cordeiro, enquanto membro do Governo que tinha essa pasta, e também como Presidente do Governo, jamais sonhara ou sequer proporcionara, dada a teimosia socialista que nunca desejou a abertura das rotas com os Açores e a vinda de companhias de baixo custo que, efectivamente, trouxessem turistas.

Apesar disso, e perante a falta de alternativas credíveis em termos de acessibilidade à região, Passos Coelho lá convenceu os socialistas dos Açores, pondo em andamento um modelo de acessibilidades aéreas que proporcionou um dos melhores anos de sempre nas dormidas.

Esse efeito multiplicador de visitantes – muito longe das subsidiações socialistas que “compravam” supostos turistas para os Açores, que ninguém via e que não alavancavam a economia – generalizou-se por quase toda a região e só não foi geral porque a ilha Graciosa (e também Santa Maria em menor grau) viu o número de dormidas de 2015 baixar relativamente a 2014.

É certo que 2016 será melhor para as dormidas na Graciosa, pois quando se chega ao grau zero das acessibilidades, qualquer pequeno movimento fará subir a ilha nas estatísticas.

A questão que não pode deixar indiferentes os Graciosenses e os Açorianos em geral é que nos Açores, dentro do Grupo Central, há uma ilha, a Graciosa, que continua a sofrer dos mesmos males que já Vasco Cordeiro conhecia muito bem nos seus tempos de titular da pasta dos transportes e turismo. Os males são graves e de urgente dedicação por parte dos governos e dizem respeito ao isolamento e à desertificação humana.

Se é certo que a ilha Graciosa não se tornará numa Meca do turismo, o que é indesmentível é que, para o seu desenvolvimento social, económico e demográfico, a sua agricultura e pescas, bem como os serviços continuam à espera de um qualquer milagre, que já se percebeu não será rosa, e que aproxime a ilha, em primeiro lugar dos demais Açores e depois do exterior da região.

Quando ouvimos loas à aposta em exportações e em produzir para outros mercados, nunca nos cansamos de repetir que uma ilha pequena como a Graciosa, com enormes potencialidades na produção seja na agricultura ou nas pescas, continua à espera que não se lembrem só de prometer que os transportes vão melhorar e quem sabe, qualquer dia, teremos um mercado interno para produzir criando emprego e riqueza.

Depois de muitas promessas de melhores acessibilidades e de melhores transportes, a Graciosa ainda espera que se lembrem que também é Açores, que tem muito para dar e uma insaciável vontade de vencer!