PS branqueou responsabilidade do governo em acidente mortal
Publicado em 17 de Fevereiro, 2016

O PSD/Açores lamentou que o relatório da Comissão de Inquérito ao Transporte Marítimo de Passageiros e Infraestruturas Portuárias “expresse simplesmente a vontade política da maioria socialista”, acusando aquela bancada e a tutela, “nomeadamente o Secretário Regional do Turismo e Transportes e o Presidente do Governo Regional” de terem “branqueado as responsabilidades no acidente do navio Gilberto Mariano, que fez uma vítima mortal em São Roque do Pico”, disse o deputado Cláudio Lopes.

O social-democrata recordou que, “em 2014, no espaço de cinco meses, ocorreram três incidentes relevantes e um acidente mortal no transporte marítimo de passageiros na área do triângulo. Todos devido a cedências de cabeços nos portos da Horta, Madalena e São Roque”.

“O acidente mortal revelou-se inédito, num serviço público que serve meio milhão de passageiros por ano e que era, até agora, seguro e fiável”, frisou Cláudio Lopes, afirmando que, nos trabalhos da referida comissão, “interessava ao PSD apurar a verdade, acreditando durante algum tempo que o PS também quisesse apurar a verdade”.

“Um dos mais conceituados deputados da bancada socialista, Lizuarte Machado, afirmou mesmo que só fazia parte da comissão para apurar a verdade. Curiosamente esse deputado demitiu-se a meio dos trabalhos da referida comissão”, referiu.

Segundo Cláudio Lopes, “a comissão apurou, ao longo das várias audições, um conjunto de factos que levaram a fortes suspeitas de imprudência, negligência e incúria, para quem gere as estruturas portuárias na Região”.

“Apesar das graves ocorrências, e na ausência de explicações convincentes, o governo reconduziu mesmo no cargo o administrador da empresa que faz essa gestão. O governo deu assim nota do grau de impunidade que julga ter, mesmo se em causa estava a morte de um cidadão, num acidente em que ninguém assumiu responsabilidades”, criticou.

Cláudio Lopes acusou ainda o PS de “politizar toda a situação, começando logo por não aceitar a comissão. E foi também o PS que eliminou as conclusões mais óbvias do relatório, na ânsia de ilibar o governo de qualquer responsabilidade política, deturpando os factos e deturpando a verdade”.

“Para o PS, o assunto está resolvido, porque as empresas públicas em questão pagaram a indemnização convencionada com a família do falecido. Foi essa a conclusão mais importante com que o PS selou este relatório e os trabalhos da Comissão. Mesmo se a culpa morreu solteira”, concluiu o deputado.