Marcelo – Opinião de Hermano Aguiar
Publicado em 01 de Fevereiro, 2016

Ganhar em todos os distrito do Continente, em todas as freguesias dos Açores (só Cavaco Silva andou lá perto em 1991) e da Madeira, só pode ter um significado: Marcelo, para além de todas as suas qualidades intelectuais e da sua empatia, é sobretudo um produto da comunicação social. Marcelo é, já em si próprio, a mensagem.

No caso de Marcelo, pelo menos até agora, o mais importante não foi o conteúdo da mensagem, foi sim o veículo da mensagem – o próprio Marcelo.

A popularidade de Marcelo é fruto da comunicação de anos e anos que competiu, em audiências, com folhetins, telenovelas, e telejornais. Foi o Marcelo político “não político” em que os eleitores se reviram.

Os resultados eleitorais alcançados por Marcelo, após a sua “não campanha” – sem jantares, nem cartazes, nem listas de apoiantes-estrelas – , veio-nos dizer que os portugueses em geral, e os açorianos em particular, não se interessam pela política nem pelos políticos; que não seguem as orientações dos políticos supostamente influentes (veja-se em que deram os apelos de César e de Cordeiro); e que, tal como em eleições autárquicas, votam muito mais com o coração do que com a razão.

E agora em Belém?