A errata ao Orçamento – Opinião de António Ventura
Publicado em 18 de Fevereiro, 2016

A versão inicial do Orçamento de Estado (OE) para 2016 foi alterada. Das 215 páginas do OE, foram corrigidas 46. São centenas de quadros e textos corregidos.

Importa dizer que todos os Governos fazem alterações, mas esta é anormalmente grande.

As correções ao OE de 2016, não são meras correções gramaticais. São alterações graves que revelam amadorismo, impreparação e incompetência. Por exemplo, esqueceram-se de colocar a contrapartida nacional para os fundos comunitários. São quadros errados e contas que não batem certo. Aliás, continuam a não bater certo.

Para mais, quando Portugal precisa diminuir o peso da despesa dos Ministérios, surpreendentemente para 2016, existe um aumento de 14% dos custos quando comparado com 2015. Somam-se, ainda, novas medidas de austeridade que estão a ser preparadas.

Medidas que António Costa esconde para não assustar os seus parceiros de coligação, por isso não se referiu a elas quando foi por quatro vezes questionado no Parlamento.

Afinal, a verdade vem sempre ao de cima, o tão publicitado e badalado fim da austeridade não é possível fazer-se do modo precipitado como foi anunciado. António Costa e Carlos César, sempre souberam que não era possível “do dia para a noite” terminarem as dificuldades que eles próprios ajudaram a criar em 2011.

Mais valia o caminho que se estava a seguir, com prudência, responsabilidade e confiança, mas foi interrompido pelos acordos parlamentares do PS com o PCP e o BE. Portugal não votou nesta governação.

Este Orçamento está ferido de credibilidade, por isso, todos continuam a desconfiar destas contas. Tanto é assim que os “mercados estão nervosos” e sabemos bem o que esta afirmação significa. Os mercados temem que Portugal não consiga cumprir o Orçamento do Estado, pelos riscos que este encerra.

Estes riscos estarão sob vigilância ao longo do ano, de tal modo que basta a agência canadiana DBRS baixar a notação de Portugal para a escalada do juro ser dramática.

Parem de enganar os Portugueses por quererem governar a todo o custo.