Urgente é o Carnaval – Opinião de João Bruto da Costa
Publicado em 13 de Janeiro, 2016

Neste início de ano damos conta de que o país não tem Orçamento do Estado. No último mês desapareceram do dia-a-dia aqueles que exigiam rapidez ao Presidente da República para colocar em andamento a tomada do poder pelo conjunto de forças políticas ressabiadas das eleições que não conseguiram ganhar, com a justificação de que era urgente ter um governo em funções, porque Portugal tinha de ter Orçamento.

Este hiato de tempo, deste que foi dada posse aos apressados em a tomar e que fez esfumar-se a ansiedade do discurso daquela urgência, serviu para dar conta da resolução de um Banco numa noite de domingo sem que aparecessem na abertura dos telejornais os costumeiros opositores de tudo o que os outros fazem.

Desde a posse do governo apoiado pelos que exigiam rapidez no suposto regresso a uma peculiar “normalidade” democrática, os actos praticados pelo governo das urgências de Abril e pelas forças políticas que o suportam revelam a verdadeira razão para tanta urgência de voltar ao poder ou em o tomar de assalto. E essa razão não se corporiza em apresentar rapidamente um novo Orçamento de Estado que recoloque o país, segundo eles, no caminho do progresso económico e social.

Nada disso, o que acirrava ânimos “democráticos” há cerca de dois meses nada tinha que ver com um pensamento para o país ou para o futuro da sociedade portuguesa, mas sim com a urgência em vingar no governo a derrota que os portugueses lhes haviam infligido nas urnas. E como qualquer estado de alma stressado com a necessidade de tomar as rédeas do seu destino, os partidos que promoveram uma justificação de estabilidade para se apossarem do poder não têm feito outra coisa senão fomentar a instabilidade e a incerteza.

A ausência de credibilidade de uma solução de governo, onde ninguém sabe verdadeiramente quem consegue impor a sua vontade aos outros, é revelada pelo atraso em apresentar um orçamento comum, a que se soma uma correria em aprovar medidas que possam ser usadas em campanha eleitoral próxima, mas que têm um preço para o país e todos o iremos pagar mais cedo ou mais tarde.

Pelo meio desta zaragata de uma geringonça mal montada e barulhenta começam já a sofrer os mais novos que voltarão a ter um ano escolar completamente inusitado, com alterações e mais mudanças, sobretudo ideológicas, que provaram no passado ser sempre prejudiciais para os resultados pretendidos.

E só o ressabiamento pode motivar os actuais detentores do poder para quererem fazer regressar à educação mais caos e maior confusão para, depois de terminado o primeiro período lectivo, querer mudar já o rumo de um ano preparado e em andamento.

Mas o que importa para quem gere esta espécie de governo parlamentar é que se imponha o seu pensamento político, independentemente do custo e das consequências.

Isso mesmo resulta também da correria de reverter e revogar tudo quanto se lembram – mesmo que nem todos o queiram – e fazê-lo rapidamente pois, quando chegar a hora do aperto, pode ser tarde demais para segurar bandeiras que podem fazer falta no futuro.

Nas urgências de faz de conta como que se vai antecipando o carnaval nas máscaras e nas fantasias. E a ver pela demência política que se apoderou do país o melhor mesmo é aproveitar o verdadeiro tempo de folia para esquecer, um pouco, os da farra da política que deixam má memória e celebrar o Carnaval.

Para um Carnaval genuíno aproveitem para conhecer ou revisitar o Carnaval da ilha Graciosa, com divertimento e bailarico até às tantas e que já teve o seu arranque!