“Obrigatório” seguir de perto – Opinião de António Marinho
Publicado em 13 de Janeiro, 2016

Independentemente do juízo sobre a solução engendrada pelo governo da República para o Banif, o facto é que desapareceu o banco que tinha, de longe, maior presença na sociedade açoriana.

Podia até ser pequeno no contexto nacional. Mas era o maior banco a operar no mercado financeiro dos Açores, sendo “herdeiro” de um património muito valioso para a Região.

É prematuro dizer se a solução adotada foi acertada ou se outra seria mais adequada. Continuam a não ser conhecidos muitos dos contornos que a envolveram. E se há pontos que conferem tranquilidade, há também questões que suscitam preocupação e carecem de acompanhamento.

Positiva foi a salvaguarda dos depósitos efetuados na instituição. Da mesma forma, é favorável que a transição da operação bancária na sua plenitude esteja a ser pacífica, pelo menos até ao momento.

Foi bom segurar a confiança das muitas famílias açorianas que tinham o Banif como seu banco de preferência. Em alguns casos, há dezenas de anos, através dos seus antecessores. Assim se terão evitado convulsões que seriam drásticas para a sociedade açoriana.

Para já, também terá sido assegurada alguma estabilidade, em particular para o tecido empresarial, que sempre teve o Banif como instituição financeira de referência. Num momento em que as empresas açorianas ainda estão afetadas por um período de crise demasiado longo, seria catastrófico que um dos principais atores na função financeira das empresas açorianas se encontrasse incapacitado de lhes dar as respostas que tanto necessitam.

Mas há também matérias que merecem preocupação. E, obviamente, necessitam de atenção especial.

Em primeiro lugar, é necessário acompanhar de perto a evolução em matéria de recursos humanos da instituição nos Açores. Processos como este são dinâmicos, normalmente acompanhados de mexidas a esse nível, sendo muitas as famílias açorianas que dependiam do antigo Banif para assegurar os seus rendimentos em função do trabalho prestado à instituição. É fundamental evitar uma situação tumultuosa para a vida dessas famílias.

Em segundo lugar, porque o Banif era o banco mais disseminado por estas nove ilhas, deve ser acompanhada a nova configuração comercial da instituição que o substituiu. A cobertura até agora assegurada não pode ser reduzida expressivamente, colocando ilhas e concelhos menos populosos ainda mais distantes dos grandes centros urbanos.

Finalmente, um olhar para as comunidades açorianas. Sabe-se do peso decisivo que assumem nos depósitos da instituição. É-lhes devida uma atenção especial, que tem de ir além da mera salvaguarda de direitos enquanto depositantes. É fundamental preservar a ligação histórica à diáspora, o que justifica que se continue a valorizar essa vertente, já que ali não se pode pensar apenas numa transição de instituição para instituição. Não pode ser traída a confiança dos emigrantes açorianos.

O Banif já não existe. Mas deve subsistir o espírito que lhe esteve associado, pela importância que sempre assumiu para os Açores.

Há passos dados no bom sentido. Mas há ainda muitas situações de indefinição. Daí, a preocupação e necessidade de acompanhamento.