Marcelo – Opinião de António Marinho
Publicado em 20 de Janeiro, 2016

Não se sabe o que vai acontecer nas presidenciais do próximo domingo. Em democracia é sempre assim.

Mas alguns, com interesses mais ou menos escondidos, tentam passar a mensagem de que já o sabem. E atiram da boca para fora resultados que só o povo, com a sua sabedoria, pode construir.

Há, pois, quem ache que não será no próximo domingo que se conhecerá o nome do futuro Presidente da República. Dizem que uma vitória à primeira volta está fora de questão e que a segunda volta será o tempo certo para o nome ser conhecido.

Não sabemos. Sabemos apenas o que queremos que aconteça. Como se passa, aliás, com os que dizem que já sabem o que vai acontecer.

Curiosamente, apoiam candidaturas que as sondagens têm colocado fora de uma percentagem confortável. E lá vão construindo cenários que tentam afastar uma eventual derrota já daqui a cinco dias.

Vejamos. No domingo irão a votos dez candidaturas.

Há as costumeiras. As que nasceram no contexto partidário e que servem apenas para que os partidos que as deram à luz não percam a oportunidade de ir lançando as suas mensagens. Há ainda as que partem de projetos pessoais virados para temas específicos, alguns dos quais de inegável interesse e a carecerem de reflexão. Todas as que se inserem nestes dois grupos são em número de quatro.

Depois, há os candidatos socialistas. Embora se refiram normalmente os dois teoricamente mais relevantes, a verdade é que desta vez são cinco. Os tais dois, mais três reconhecidos militantes desse partido. Desta vez, o número é maior do que em eleições anteriores, designadamente aquelas em que Alegre e Soares andaram de candeias às avessas. A verdade é que a profusão de socialistas a concorrer é um hábito que parece estar enraizado.

É um partido de desavindos? É o que dizem alguns. É um partido em que o acesso ao poder a qualquer preço é o verdadeiro incentivo para a militância? Talvez, a julgar pela recente formação do estapafúrdio governo que furou com as regras de quarenta anos da democracia portuguesa.

Mas acreditamos também que tradicionais votantes socialistas, alguns até encartados, sintam tentação de dar o seu voto ao candidato de que até agora não falámos.

Não temos dúvidas de que Marcelo Rebelo de Sousa, pela abrangência política que conseguiu construir ao longo de muitos anos, bem como pela simpatia que conseguiu granjear entre os portugueses, não se vai ficar pelos votos dos partidos mais à direita do espectro político.

Chegará muito mais longe e beneficiará da confiança que conseguiu associar à sua figura, característica essencial para quem se candidata a um cargo como o de Presidente da República.

A seu favor está ainda o facto de ter feito uma campanha barata e fora do formato tradicional. Apenas fez valer a sua reconhecida notoriedade. É o seu percurso na vida pública que constitui o grande pecúlio utilizado como vantagem na sua candidatura.

Terminando como começámos, não sabemos quem vai ganhar. À primeira ou à segunda volta. Mas sabemos que Marcelo é o melhor para o país.

E, obviamente, pela simpatia e defesa que sempre dedicou às Autonomias, sabemos também que é o melhor para os Açores.