A oportunidade de 2016 – Opinião de António Marinho
Publicado em 06 de Janeiro, 2016

O ano que terminou há dias foi positivo para os Açores?

Houve algumas melhorias que, no essencial, se relacionam, quer com a redução das tarifas aéreas com o exterior, quer com a descida de impostos, que a reposição do diferencial fiscal tornou possível, ainda que o Governo Regional não a tenha aproveitado integralmente.

Em relação a ambas, foi inequívoco o patrocínio do PSD/Açores. E foi forte o empenhamento de Duarte Freitas que, já no ano anterior, antevia que 2015 fosse melhor do que 2014, porque haveria mais dinheiro nas mãos dos Açorianos e porque era possível recuperar emprego em setores beneficiados pelas alterações no modelo de transporte aéreo.

Mas pode caracterizar-se 2015 apenas por boas notícias? Infelizmente, não. Essencialmente pela persistência de graves problemas sociais.

O desemprego continuou a um nível elevado, sendo especialmente preocupante entre os jovens. A pobreza acentuou-se e está patente na incidência do RSI, que abrange 7.4% da população açoriana e quase quadruplica a média nacional, assim como no facto de mais de 70% de famílias açorianas viverem com menos de 530 € mensais. Na saúde, área sensível para a segurança e bem-estar das famílias, as 9 mil pessoas em listas de espera e as 67 mil sem médico de família mostram bem o estado do setor. Na educação, atingem-se máximos nacionais no abandono e no insucesso escolar.

Somam-se ainda as consequências do desmantelamento das quotas leiteiras. Sendo sustento de muitos milhares de famílias açorianas, naturalmente que é grande a preocupação, exigindo medidas que contem com o empenho de todos.

E quanto a 2016?

Não correspondendo necessariamente à desejada retoma, seria quase garantido que fosse um ano melhor. Designadamente pela maior consolidação dos fatores que influenciaram positivamente 2015, pela sua abrangência a todo o ano.

Tudo podia ser intensificado com o alargamento da descida de impostos, transferindo para as famílias e para as empresas o dinheiro que o governo optou por manter nas suas mãos. Só que o governo continuou a não o querer fazer.

Adicionalmente, existe um senão. As intenções do novo governo da República, onde a aliança com a esquerda radical pode desenhar um caminho que inverta os progressos conseguidos no país.

Ou seja, pode significar o regresso de Portugal ao estado deplorável de 2011, quando o país foi obrigado a pedir ajuda externa. Sendo assim, também a Região fica exposta e pode sofrer efeitos negativos. A incerteza pode voltar.

Mas 2016 pode ser um ano de esperança. Porque em Outubro se realizam eleições regionais.

Os problemas sociais existentes, que não se têm atenuado e até se viram agravados, decorrem de uma cultura política instalada há quase vinte anos nos Açores. Um modelo cansado, que não criou condições de desenvolvimento e optou por uma via assistencialista.

É urgente uma vida nova para os Açores e para os Açorianos. Que deve marcar encontro com um projeto alternativo.

Duarte Freitas e o PSD/Açores há muito que trabalham nesse projeto. Uma via de confiança, que pode restaurar a esperança perdida pelos Açorianos.

A oportunidade existe! 2016 até pode ser um Bom Ano!