Centralização de urgências na ilha do Pico – Opinião de Cláudio Lopes
Publicado em 14 de Dezembro, 2015

Uma petição, subscrita por 1.604 picoenses, opondo-se à centralização do serviço de saúde no novo centro de saúde da madalena, foi objeto de apreciação na última sessão plenária do Parlamento Regional.

A intenção do Governo Regional em centralizar as urgências na Madalena, tem sido matéria de grande controvérsia na ilha do Pico, particularmente para as populações dos Concelhos de São Roque e Lajes do Pico, e tem merecido reações de diversas entidades, como do Conselho de Ilha, de Assembleias Municipais e executivos camarários, bem como de estruturas partidárias.

Em boa verdade, a preocupação geral é, objetivamente, esta:

“Os picoenses continuam a aguardar uma resposta clara e concreta deste Governo, sobre como será feita essa centralização? Quando será feita? Com que recursos humanos e tecnológicos ela será suportada? E quando terão todos esses recursos na ilha do Pico?”.

Do mesmo modo,

“Os picoenses continuam à espera de uma resposta clara e concreta, sobre o que vai suceder às valências existentes nos Centros de Saúde das Lajes e de São Roque, e que impactos, as eventuais alterações no sistema de saúde da ilha, terão nas populações daqueles dois Concelhos?”.

“Os picoenses continuam a aguardar a concretização das promessas anunciadas, nomeadamente a criação de uma extensão de saúde e de uma secção destacada dos Bombeiros Voluntários, na freguesia da Piedade, com uma ambulância”.

“Os picoenses aguardam ainda, a entrada em funcionamento da 2ª viatura SIV, no Sul do Pico, e esperam que as duas viaturas estejam em serviço permanente 24 horas por dia, todos os dias da semana, porque um acidente ou uma doença súbita, não têm hora marcada”.

Estas e outras, são promessas dos socialistas e do Governo Regional feitas aos picoenses, talvez na perspetiva de desviar as atenções para o que de negativo viesse a passar-se quanto à retirada de funções dos Centros de Saúde das Lajes e de São Roque.

A questão fundamental é que, em geral, os picoenses não estão contra a criação de um Serviço de Urgência no C.S. da Madalena, pelo contrário, aplaudem a criação desse Serviço, reconhecendo nele uma mais-valia, sobretudo porque poderá evitar muitas deslocações dos utentes para fora da ilha, para serem tratados.

O que os picoenses não aprovam é que ao criar-se esse Serviço, se anulem serviços de proximidade, que são importantes, e que são há muitos anos prestados pelos Centros de Saúde das Lajes e de São Roque, em benefício das respetivas populações, com a competência e muito empenho dos profissionais de saúde que ali trabalham.

Os picoenses anseiam ainda por ver retomada, em níveis desejáveis, a deslocação de especialistas à ilha, como já tiveram até ao ano 2012, que era, sublinhe-se, um Bom Serviço prestado aos picoenses, mas que o Secretário Regional da Saúde acabou por destruir.

Relembro que na ilha do Pico, a redução de consultas de especialistas entre os anos 2012 e 2014 foi de 82% e que o número de especialidades reduziu também de 16 para 5, entre aqueles dois anos.

Os picoenses esperam, e confiam, que nesta matéria tão importante para a ilha, os políticos da ilha estejam em sintonia, e que coloquem os interesses da ilha e das suas populações à frente dos interesses partidários.

Acredito que, sobre esta matéria, “a procissão ainda vai no adro, mas a sair da igreja”. Isto é, ainda pode percorrer alguns caminhos.