262 milhões de euros – Opinião de João Bruto da Costa
Publicado em 09 de Dezembro, 2015

Nos últimos 10 anos, foram orçamentados pelo Governo Regional para a Graciosa 262 milhões de euros. Muitos Graciosenses ficam incrédulos com este valor. Muitos açorianos acharão que isto é um disparate. Outros perguntam sobre os resultados desses milhões.

É importante esclarecer que estes 262 milhões de euros são o valor inscrito pelo Governo e não significam investimentos pois as execuções deixam muitos desses milhões “na gaveta”, perdendo-se a oportunidade do investimento. Esta tese é contrariada por socialistas que dizem cumprir com tudo o que prometem – ou pelo menos assinalam grandes percentagens de promessas cumpridas – e reafirmam que as críticas que fazemos são pura maledicência que não reflecte a eficácia da governação.

Se assim fosse, ou seja, se executaram nos últimos 10 anos os tais 262 milhões de euros na ilha por que razão a Graciosa não é hoje um modelo de desenvolvimento? Quais os motivos para que uma pequena ilha não seja hoje pujante economicamente e geradora de emprego e riqueza dos seus habitantes?

Poderia dizer-se que isso não acontece, porque o dinheiro não chegou a ser gasto ou, em alternativa, porque foi mal investido.

Nestas explicações inclino-me mais para a primeira, isto é, os milhões constam no papel mas não chegam a ver a sua execução e, por isso, são apenas fruto de anúncios para deleite de socialistas mais efusivos ou para enganar alguns mais distraídos que não chegam a fazer contas sobre o que é prometido e o que, de facto, é feito.

Também é verdade que existem alguns investimentos mal executados ou em que o dinheiro foi atirado para cima dos problemas sem os resolver.

Exemplo mais do que conhecido de investimentos em que se gastaram milhões e que tiveram um resultado desastroso é o caso das Termas do Carapacho – onde foram atirados milhões para cima de um problema e conseguiram fechar as portas de uma valência que deveria ser uma das mais acarinhadas pelo poder socialista.

Outros exemplos existem e os Graciosenses conhecem bem os resultados de algumas despesas milionárias que, certamente, serviram alguém mas deixaram de fora uma grande maioria da população.

Quando constatamos estas discrepâncias entre o que é prometido e os resultados que teimam em não aparecer não podemos calar a nossa voz de denúncia e de crítica à incompetência de um Governo que se instalou no poder, há já 20 anos, e que ficou com as vistas turvas perante problemas que não consegue resolver.

Diante disso, os habituais defensores do regime, alguns dependentes do poder e da sua perpetuação, costumam adoptar uma de duas atitudes: ou se desculpam com as dificuldades de resolver os problemas de uma ilha pequena e isolada (ao que nos apetece questionar: então por que prometeram soluções?) ou então chutam a bola para o adversário e acusam-nos de estar sempre a falar mal deles, coitados, que tudo fazem para inverter o rumo desastroso que desenharam para a sua própria governação.

Sobre esta última questão – das críticas à incompetência governamental – não posso deixar de dizer que nada me daria mais prazer do que apontar grandes sucessos à governação dos Açores no que à Graciosa diz respeito. Isso seria sinal de que a ilha tinha encontrado um rumo de desenvolvimento que nos desse motivos de satisfação. Mas quando olhamos para a dura realidade perguntamos sempre onde está a prometida coesão social e territorial? Onde anda o mercado interno? Onde está o sucesso das políticas de fixação de jovens? Onde andam, afinal, os tais 262 milhões de euros?