Vai cair a máscara – Opinião de António Marinho
Publicado em 04 de Novembro, 2015

A confiança é um ativo que deve ser preservado para assegurar a estabilidade. No país ou na Região.

Todos os agentes políticos têm obrigação de contribuir para que essa confiança seja garantida e protegida. E é no Parlamento Regional que se devem exprimir os consensos políticos fundamentais para que os Açores possam continuar a merecer a confiança dos investidores, dos empresários, dos trabalhadores e dos cidadãos em geral.

Todos sabem como é pesado o custo da perda de confiança na vida das famílias e na actividade das empresas. São bem conhecidos os casos de países europeus que atentaram contra o compromisso político, estratégico e institucional que tinham com o projecto da União Europeia.

As consequências foram desastrosas para os cidadãos.

É, assim, fundamental que haja clareza total sobre a forma como todos se posicionam quanto ao compromisso com as regras e princípios em que assenta o projeto da União Europeia e do Euro.

Foi nesse sentido que o PSD/Açores apresentou na Assembleia Legislativa dos Açores um projeto de Resolução tendente a reafirmar com clareza essas matérias. A verdade é que estas são fundamentais para que a estabilidade se afirme no país, daí resultando óbvios benefícios e garantias para a Região.

Dessa forma, expressando a vontade do povo açoriano, o Parlamento açoriano deveria reafirmar a vontade regional na participação plena dos Açores e do nosso país na União Europeia e na União Económica e Monetária, sendo também essencial quanto à inclusão dos Açores e do nosso país na União Bancária e a defesa da sua implementação plena. Reafirmação que passava igualmente pela importância para os Açores da vinculação de Portugal ao Tratado Orçamental e o compromisso do nosso país com o cumprimento do Pacto de Estabilidade e Crescimento. Finalmente, o projeto de Resolução apresentado apontava ainda a rejeição, a bem do interesse açoriano, de propostas de reestruturação unilateral das dívidas públicas nacionais dos Estados membros da União Europeia.

A reafirmação destes compromissos deveria ser assumida desde já. A perspetiva de uma coligação negativa a nível nacional, integrando socialistas e partidos da esquerda radical que sempre renegaram os valores europeus, pretendendo usurpar um governo legítimo, era razão necessária e suficiente para uma tomada de posição tão breve quanto possível. Justificava-se a urgência do debate e afirmação das diferentes posições. Mas assim não o entenderam os partidos promotores da coligação negativa que está em curso no país.

É verdade que não foi surpreendente. Tem sido constante a fuga a este debate por parte do PS dos Açores. As diferentes posições oriundas desse quadrante, que têm vindo a terreiro, são, no mínimo, dúbias. Daí que os socialistas tenham fugido mais uma vez.

Mas a fuga tem limites. A prova final virá no dia em que os deputados socialistas na Assembleia da República tiverem que optar. Quando for conhecido o seu sentido de voto em relação ao governo espúrio que está a ser “cozinhado” com a esquerda radical e respetiva compatibilidade com o que tem sido dito por cá.

Será aí que a máscara do PS dos Açores vai cair.