Secretário da Saúde “contradiz números do próprio governo”
Publicado em 04 de Novembro, 2015

O PSD/Açores lamentou que o secretário regional da Saúde tenha “faltado à verdade” sobre o número de utentes sem médico de família, alegando que o governante “entrou em contradição com os números do próprio governo”.

“O senhor secretário faltou à verdade. Foi a própria secretaria regional da Saúde, em agosto deste ano, que estimou em 67 mil o número de utentes sem médico de família, sobretudo nas ilhas de São Miguel e Terceira. Ao senhor secretário exige-se que trabalhe para solucionar o problema da falta de médicos de família, em vez de passar o tempo a deturpar a realidade”, afirmou Luís Maurício, vice-presidente do partido.

O dirigente social-democrata reafirmou a posição transmitida pelo presidente do partido, Duarte Freitas, de que só em São Miguel há cerca de 55 mil utentes sem médico de família, segundo informação prestada pela própria administração da Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel.

Luís Maurício acrescentou que estes números só comprovam o “absoluto falhanço” do secretário regional da Saúde no objetivo de resolver o problema da falta de médicos de família até final de 2016, como o governante havia prometido.

O vice-presidente do PSD/Açores lamentou igualmente o “descaramento” revelado pelo secretário regional da Saúde a propósito da alteração do regime de reembolsos, dado que “tentou passar a ideia de que os cortes impostos, e que em muito prejudicaram os utentes, foram algo positivo”.

“No anterior regime os doentes eram reembolsados dos tratamentos de fisioterapia, independentemente do número de vezes que o fizessem em cada ano. Com a alteração do regime de reembolsos, os doentes só são reembolsados duas vezes em cada ano. Mas o senhor secretário regional teve o descaramento de afirmar que estes cortes foram algo positivo”, disse.

Além da limitação do número de vezes que os doentes poderiam ser reembolsados, Luís Maurício lembrou igualmente que o montante do reembolso no atual regime passou a ter um teto máximo.

“O governo regional poupou um milhão de euros à custa do esforço dos utentes da ilha de São Miguel, que foram obrigados a pagar do seu bolso os tratamentos porque o setor público e o público convencionado não dá resposta a tudo. E houve também utentes que deixaram de fazer tratamentos por falta de capacidade financeira para recorrer a privados”, sublinhou.

Segundo Luís Maurício, “os açorianos sabem, porque sentem na pele, que estão a pagar mais do seu bolso por cada análise, exame ou tratamento de fisioterapia desde que o novo regime de reembolsos entrou em vigor”.