Ratos, navios e promessas socialistas – Opinião de João Bruto da Costa
Publicado em 25 de Novembro, 2015

Durante esta semana, são discutidos e votados os planos e orçamentos anuais do Governo Regional e da Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa.

Estes documentos tornaram-se um mero cumprir de calendário, que se revela mais como um calendário eleitoral do que propriamente o programar do investimento público com vista ao desenvolvimento de uma comunidade que, neste caso, corresponde a uma ilha.

Os Graciosenses já se habituaram a esta forma de governar para o calendário eleitoral. Não é a primeira vez que faço esta denúncia, mas poderá ser uma das últimas já que estamos perante o último plano anual da legislatura regional e o penúltimo do mandato camarário.

Este é um facto cada vez mais notório na política regional, em que o poder se concentra no partido socialista, que criou esta gestão de expectativas numa forma já corriqueira de ir vivendo em campanha eleitoral, durante três anos, até à chegada do ano eleitoral em que, novamente, assume a campanha que andou a gerir durante os anos anteriores.

Se há ilha em que isso se tornou um “caso de estudo” é a ilha Graciosa.

Na Graciosa a gestão de expectativas é uma rotina anual consagrada em planos e orçamentos de autarquia e governo regional, com a bênção e cumplicidade dos políticos locais dependentes do partido do poder e que passam o tempo a amanhar umas desculpas e umas supostas razões para não acontecer o que estava previsto e para não cumprirem a tempo e horas o que haviam prometido.

Geralmente, depois, vem o ano de eleições e tudo parece ter uma solução à vista. Uma solução que, segundo eles, só tem como condição mais um voto no partido do poder para que esse poder resolva os problemas que não resolveu nos anos anteriores.

E são cada vez mais os anos a passar e a ilha mais pequena do Grupo Central a ver-se a braços com maiores dificuldades e cada vez mais isolada.

São os jovens que não encontram soluções para se fixar na ilha, é a falta de empregos escondida no emprego social que, no caso da Graciosa, apenas assegura precariedade e desigualdade. É o abandono da ilha em termos de transportes, nomeadamente os marítimos, e a ausência de um verdadeiro serviço público que assegure à economia local alguma possibilidade de desenvolver projectos e investimentos. É a saúde que teima em gerar a falta de confiança dos habitantes da ilha, atormentados de casos inexplicáveis e impróprios de um serviço regional de saúde de um país da União Europeia.

Não faltam na Graciosa promessas adiadas, esquecimentos inaceitáveis e desculpas esfarrapadas do socialismo instalado no poder regional e local, e perante mais um plano e orçamento das entidades que têm a responsabilidade de promover o desenvolvimento económico, social e humano desta pequena ilha, apenas resulta a costumada receita de tudo prometer mas sempre para um dia mais tarde.

Na ilha Graciosa, uma ilha de pequenas dimensões e terreno pouco acidentado, nem uma estratégia de combate à praga dos ratos as entidades públicas regionais são capazes de pôr em prática.

Como a ilha tem cada vez piores transportes marítimos e deixou de ter um serviço público que vá ao encontro das suas necessidades, talvez exista uma explicação para haver cada vez mais ratos pelas ruas Graciosenses; é que, como diz o provérbio: “os ratos são os primeiros a abandonar o navio”!