O papel aceita tudo – Opinião de António Marinho
Publicado em 25 de Novembro, 2015

Numa semana em que vamos ser assaltados pelos números “fantásticos” do governo, associados ao debate orçamental que decorre a partir de hoje na Assembleia Legislativa, importa ter o olho atento. É salutar lançar um olhar crítico e desapaixonado sobre os documentos, até porque sabemos que os documentos se destinam ao ano final desta legislatura. Ou seja, um ano de eleições em que bem sabemos como é o comportamento socialista nestas alturas.

Pela boca do governo, vamos ouvir falar mais uma vez dos maiores Planos de sempre. É a ladainha do costume, viciados que estão certos governantes em fazer desfilar números, como se isso fosse garantia de que assim seriam resolvidos os inúmeros problemas que afetam os Açorianos.

Convém, por isso mesmo, ver o que anualmente se tem verificado como execução de Planos anteriores. No mínimo, para que as pessoas não sejam apanhadas desprevenidas, acreditando piamente no que máquina mediática do governo socialista transmite. É um exercício simples e facilitado. Temos a possibilidade de o fazer através do acesso a relatórios, da responsabilidade do governo, onde consta essa informação. E aí, com toda a certeza, fica patente a prova de que o governo tem ficado muito longe de cumprir aquilo que antes apresentou com a pompa e circunstância do costume. Em média, cumpre pouco mais de três quartos do que apresentou como o tal “maior plano de sempre”.

Mas existe outro exercício que deve ser feito. Tentar construir a história de muitas ações que vão aparecendo ano a ano nos Planos.

E aí, torna-se cada vez mais difícil acreditar num governo que integra nos Planos, em todas as ilhas, ações-fantasma que durante anos a fio deles constam. Algumas, depois de muitas vezes terem constado do Plano, desaparecem, reaparecendo num ano posterior. Outras, de forma inglória, depois de terem aparecido, desaparecem sem apelo nem agravo. Todas, mesmo aparecendo em certo ano, não vêem a luz da concretização.

Há exemplos verdadeiramente incríveis.

Veja-se o da Escola Secundária das Lajes do Pico, que há 17 anos tem recebido a distinção de figurar nos Planos Anuais para avançar no ano seguinte. Já chegou a ter 27 milhões de euros reservados para o efeito, mas o que é certo é que ainda continua nas mesmas instalações, a funcionar sem condições adequadas, de forma a proporcionar bons níveis de ensino aos jovens que a frequentam.

E exemplos destes são inúmeros, em diversas ilhas.

Quando hoje começa a ser debatida no Parlamento Regional, há que desmistificar a proposta apresentada para 2016.

Quem é que pode acreditar que vão ser concretizados os 524 milhões de euros que o governo colocou no Plano para 2016? É talvez um número bonito para um ano de eleições.

Em termos de efeitos na economia e na sociedade deve ainda acrescentar-se ainda que nesse valor consta o pagamento de ações já concretizadas e que apenas constam por carecerem de pagamentos que ficaram adiados, não dando assim qualquer contributo para a criação de riqueza e de emprego.

Podem documentos como estes considerar-se credíveis? Ou são apenas um embuste dirigido aos Açorianos?

Na verdade, o papel aceita tudo.