No plano da credibilidade – Opinião de João Bruto da Costa
Publicado em 18 de Novembro, 2015

O papel aceita tudo o que lá quiser colocar. E o que quer que seja que o governo entende verter nos seus documentos oficiais deve ser analisado não como uma realidade incontestável, mas com o olhar atento e crítico que não se fascina com aquilo que é antecedido da assinatura dos governantes dos Açores.

Na legislatura somos anualmente chamados a avaliar o Plano e Orçamento dos Açores e, chegados ao último ano dessa legislatura, apresentado o derradeiro Plano Anual, podemos fazer a retrospectiva daquilo que eram as realizações, os projectos ou as intenções que foram sendo inscritos naqueles documentos e que, apesar de cabimentados, atribuídas verbas e reafirmadas as ideias, não passaram de mais uma rubrica repetida, mais uma mera vontade ou apenas uma renovação de um embuste.

Já nos habituámos a que, nos documentos do Governo dos Açores liderado por Vasco Cordeiro, haja a recorrência de compromissos que fazem um percurso de regeneração de desejos, mas que não passam disso mesmo.

Podem ser comunicados do Governo, aquando das suas visitas estatutárias, ou apresentação de Planos Anuais em que são dadas autorizações para início de procedimentos ou orientações para abertura de concursos que não passam de uma mera inscrição em papel, nuns casos apenas espelhando a habitual campanha ininterrupta em que vive o socialismo açoriano, e noutros contando com verbas que, sendo manifestamente insuficientes para o objectivo proposto, não passam de mais um adiamento destinado apenas a manter vivas as expectativas de quem aguarda a concretização do que foi, há muitos anos, prometido.

Desde uma escola com mais de 17 anos a ser prometida, ou uma marina que já teve direito a cartazes, comunicados e inscrições sucessivas em Plano Anual, ou os persistentes adiamentos de um matadouro com verbas insuficientes e que já está a ser prometido há mais de 6 anos, passando por realizações que apenas existem pela renovada inscrição de verbas ano após ano e que transitam sempre para o ano seguinte, tudo serve para manter exaltado o discurso daqueles que, ao invés de defenderem quem os elegeu, passam três dos quatro anos de uma legislatura a gerir esperanças e a distribuir desculpas para o constante adiamento dos compromissos que levaram a que recebessem alguns votos do eleitorado.

Não admira, por isso, que daqui resulte, por um lado, o renovado discurso, muito em voga no governo de Vasco Cordeiro e Sérgio Ávila, de que o Plano para o ano que se segue é sempre maior e com maiores investimentos que o que o antecedeu, ocultando, entretanto, que isso não resulta de uma maior vontade de aumentar esse investimento, mas sim da mais genuína e consistente incompetência para realizar no ano anterior o que se propunham. Por outro lado, também não ficamos admirados quando ouvimos os fiéis ao regime a dizer que a última palavra em democracia cabe, não ao povo, mas ao parlamento. Compreendemos agora melhor do que nunca este entendimento e ele reflecte bem a forma de governar que se cimentou nos Açores e no socialismo de Cordeiro e Ávila.

Em vésperas de mais um Plano Anual, prestes a ser votado por socialistas dos Açores, não se pode continuar a ignorar o grau de incompetência que revelaram nos Planos apresentados antes e que tiveram miseráveis execuções.

É um esquema repetido e esgotado que não merece o mínimo de credibilidade e nesse plano – no da credibilidade – o Governo de Vasco Cordeiro não merece outra coisa que não seja ser chumbado.