Governo dos Açores apresenta Orçamento sem credibilidade
Publicado em 24 de Novembro, 2015

O PSD/Açores reforçou a opção de votar contra o Plano e Orçamento da Região para 2016, frisando não querer ficar associado “à ilusão do irrealizável e aos insucessos que continuam a penalizar as famílias e as empresas”.

“Demos dois anos de benefício da dúvida, abstendo-nos em 2013 e em 2014, e votámos contra em 2015, como faremos agora, pois mantém-se um rumo que não reconduziu os Açores ao progresso”, disse o presidente do grupo parlamentar, António Marinho.

O social-democrata referiu que, “este último dos quatro anos que serão julgados em 2016, poderia ser uma última oportunidade para cumprir expectativas. Mas o que é proposto é a confirmação da incapacidade que o governo tem revelado para fazê-lo”.

Segundo António Marinho, “os açorianos assistem à falta de estratégia e de políticas consequentes, que recoloquem os Açores em condições de enfrentar o futuro. E que dêem condições de exercício de atividade às empresas, os verdadeiros motores de criação de riqueza e emprego, proporcionando qualidade de vida às pessoas que vivem nestas nove ilhas”, adiantou.

“Mas a verdade é que falhou este governo cansado de quase 20 anos, que não está a resolver os problemas gravíssimos da sociedade açoriana, e para quem os últimos três anos se revelaram como os mais falhados, pelo marasmo de governação que representaram”, acusou.

António Marinho referiu que o PSD/Açores vai, ao longo destes dias, “lembrar o muito que foi prometido e nunca cumprido. E que mais uma vez tende a não ser objeto de concretização neste ano que resta ao governo para dar uma prova de vida”.

Focando-se na atual legislatura, o deputado lembrou que os Açores “deviam ter beneficiado de 437 milhões de euros com o Plano de 2013, dos quais apenas se cumpriram 85%, com 373 milhões de euros. Em 2014, o Plano devia ter trazido 433 milhões de euros aos açorianos, mas deixou 115 milhões de euros para trás e só cumpriu com 318, executando 73%. No ano em curso, em que a promessa era de 484 milhões de euros, e a um trimestre do final do ano, estão 203 milhões executados, apenas 42%”, elencou o responsável pela bancada do PSD/Açores.

E deu exemplos concretos, “como o da Escola Secundária das Lajes do Pico, que figura há 17 anos, já teve 34 milhões de euros reservados, mas que ainda continua nas mesmas instalações e a funcionar sem condições adequadas. Também por isso, fica a pergunta: Dos 524 milhões de euros que o governo colocou no papel para 2016, é sério dizer que serão efetivamente concretizados?”, avançou.

“E quanto representam as ações já concretizadas, cujos efeitos se esgotaram e que constam do Plano por carecerem de pagamentos que ficaram adiados?”, questionou António Marinho, frisando que, “por esses Açores, é fácil preenchermos papéis com grandes números. O papel aceita tudo”, afirmou.

“Mas à nossa frente temos falta de novidade e o prosseguimento de um modelo de intervenção na sociedade que tem sido incapaz de resolver os problemas, ou que até os tem intensificado”, lamentou o social-democrata, acrescentando que “é manifesta a insensibilidade com os anseios das pessoas e das empresas”.

António Marinho acusou mesmo o governo “de fugir à denúncia dos problemas. Não por vergonha, mas sim para que, pelo desconhecimento, seja assegurada a sua perpetuação no poder”, considera.

“E esta última oportunidade do governo não altera, definitivamente, o rumo que os Açores seguiram nos últimos anos, que levou a que o RSI atinja a maior percentagem a nível nacional, quase quatro vezes mais a média do país. O rumo que levou mais de 70% das famílias açorianas a sobreviverem com menos de 530 euros mensais, levou o abandono escolar precoce a atingir máximos nacionais, conduziu à insegurança na saúde, e que nos levou a níveis de desemprego elevados, designadamente na população jovem”.

“O Governo Regional, uma vez mais, não ouviu os açorianos e deixou-os à sua sorte. Pelo que, da nossa parte, só podemos votar contra, e apresentar propostas pontuais para minimizar alguns danos na vida das famílias e das empresas”, concluiu António Marinho.