Governo demora dois anos a adoptar medida do PSD/Açores para combate às listas de espera
Publicado em 13 de Novembro, 2015

O PSD/Açores criticou o Governo Regional por “ter demorado cerca de dois anos” a pôr em prática a medida social-democrata que pretendia ver reduzidas as listas de espera cirúrgicas nos hospitais da Região.

“Tomamos essa como uma medida positiva, mas é tardia, pois passaram quase dois anos depois da nossa denúncia e o PSD/Açores já tinha apresentado uma solução viável”, avançou o vice-presidente do grupo parlamentar, Luís Maurício.

O social-democrata falava após uma reunião com a administração do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, onde foi confrontado com essa abertura à produção cirúrgica adicional, mas já perante “cerca de 7500 doentes inscritos em listas de espera cirúrgicas, num total de mais de 9000 doentes na Região, segundo dados da Direção Regional da Saúde”, explicou.

“Propusemos, no início de 2014, um regime integrado de gestão de doentes em espera, que abarcasse os três hospitais. Para que se operassem esses doentes fora do horário normal de trabalho, pois só assim os números iriam baixar”, disse Luís Maurício.

“Há uma falta gritante de anestesistas e as seis salas do bloco operatório do HDES continuam fechadas à tarde, e uma delas também de manhã. A iniciativa do governo vem tarde e más horas, não correspondendo na totalidade ao que propusemos, pois o regime de recuperação de doentes em espera cirúrgica deve ser feito de forma contínua e respeitando os tempos máximos de resposta garantidos, que, hoje, ainda não passaram do papel”, afirmou o vice-presidente da bancada social-democrata.

Relativamente à deslocação de doentes de outras ilhas, Luís Maurício lembrou que a procura do Hospital de Ponta Delgada “aumentou 7,4% em 2014, não havendo ainda dados deste ano”, sendo que 87% dos doentes que se deslocam deste Hospital para outras instituições de saúde se fazem acompanhar por uma ou duas pessoas”.

“O novo regime de apoio ao doente deslocado, que aumentou para o próprio doente nos primeiros escalões, em função do seu rendimento, está desadequado. O apoio baixou para o seu acompanhante, assim como baixou no transporte diário, para um máximo de dez euros, quando antes era pago de forma integral. Ou seja, o doente deslocado, considerado na sua globalidade, passou a receber menos”, referiu.

O número de doentes em espera para consultas também é motivo de preocupações para o social-democrata, que recordou dados de 31 de dezembro de 2014, quando “2020 doentes de Oftalmologia aguardavam a marcação de consultas. É uma situação preocupante, até porque o quadro médico daquela especialidade está a diminuir. Esperamos que sejam tomadas medidas urgentes para resolver um problema que é grave”, considerou.

Luís Maurício denunciou ainda aquilo que referiu como “um uso descontextualizado do programa Vale-Saúde, que tem servido para reduzir as listas de espera de uma forma que não respeita o seu próprio regulamento, operando-se quem está há menos tempo em espera e deixando outros doentes que esperam há anos, ainda a esperar mais”, concluiu.

“São 500 mil euros que estão inscritos no Plano e Orçamento de 2016 para este programa, que deve pugnar por tratar os doentes de forma transversal, como fez recentemente, e muito bem, a Assembleia Regional da Madeira. E como o PSD/Açores já propôs por duas vezes, visando que se criem programas de cirurgia adicionais, mas de forma contínua e eficaz”, concluiu.