Evacuação de sinistrados na Graciosa demorou oito horas
Publicado em 02 de Novembro, 2015

O PSD/Açores denunciou o caso grave de uma evacuação de sinistrados de um acidente de viação, na ilha Graciosa que, no passado dia 25 de outubro, demorou cerca de oito horas.

O deputado social-democrata João Bruto da Costa foi contatado diretamente por alguns familiares dos envolvidos, “que estão indignados, e se queixam da descoordenação verificada, após o referido acidente, de que resultaram três feridos considerados graves”, adiantou.

Segundo o parlamentar eleito pela ilha Graciosa, “houve uma clara descoordenação, e um eventual prejuízo para a saúde de quem esperou tanto tempo pelo tratamento adequado”.

“Os acidentados chegaram ao Centro de Saúde por volta das 6h00, e a médica de serviço, mal diagnosticou as três vítimas, ativou o pedido de evacuação. Referindo então que só restava esperar, mas o tempo foi passando, e a falta de informação e as dúvidas por parte dos familiares tornaram-se evidentes”, explica.

“Os familiares pediram então a presença dos membros do Conselho de Administração (CA) da Unidade de Saúde, para tentar perceber o porquê da demora, isto já três horas (às 9H00) depois do pedido de evacuação. Meia hora passada (às 9H30) apareceu o enfermeiro membro daquele CA”, adianta.

“O referido director teve uma atitude pouco apaziguadora, perante os familiares dos acidentados, referindo que, após o pedido de evacuação, nada mais se poderia fazer. A médica de serviço afirmou então que o socorro chegaria em meia hora (10h00), o que não veio a acontecer, tendo até a referida profissional de saúde desabafado o seu nervosismo com o caso, do qual estava a tratar como se fosse para a sua família, mas as pessoas não se podiam esquecer que era fim-de-semana. Como que justificando a falta de comparecimento do restante CA da Unidade de Saúde, que apareceram pouco depois”, revela João Bruto da Costa.

“Ao chegarem à Unidade de Saúde, tanto a Presidente do CA como a médica do Centro de Saúde, não quiseram responder aos anseios dos familiares dos sinistrados. Ou seja, as dúvidas continuavam e o tempo também não parava, até que houve informação de que a evacuação ia atrasar, pois fora dada prioridade a um doente da ilha Terceira, que se encontrava em coma, e ia ser transportado para São Miguel, pois o seu estado de saúde era mais grave”, acrescenta o deputado.

“Essa avaliação sumária gerou ainda mais indignação, pois como é que se podia afirmar que o doente estava em estado mais grave do que os três acidentados que se encontravam na Graciosa, onde não dispunham dos meios de auxílio e diagnóstico para aferir com melhor certeza a gravidade do seu estado”, questiona.

“Presenciou-se um quadro de três acidentados, dois deles em estado visivelmente muito grave, a serem tratados num Centro de Saúde, sem médicos especialistas e sem todos os meios para fazer algo de exigível pelo seu sofrimento. Às 10h30, o helicóptero ainda não tinha feito a viagem Terceira/São Miguel, tendo então os familiares presentes contatado um deputado regional, que ficou de falar com o Secretário Regional da Saúde, mas não conseguiu obter uma resposta rápida”.

“Em desespero, ligaram para o enfermeiro chefe da unidade de evacuações aérea, que se voluntariou a arranjar uma equipa para efectuar a evacuação, tendo sido este o único momento apaziguador do sofrimento dos acidentados e das famílias”, refere João Bruto da Costa.

Segundo o deputado, “a equipa e o transporte arranjados pela persistência dos familiares chegou por volta das 12h30, tendo a evacuação sido feita por volta das 13h45. Em suma, desde a entrada no Centro de Saúde até à hora da evacuação passaram cerca de oito horas”.

Num requerimento enviado à Assembleia Legislativa, João Bruto da Costa questiona agora o Governo Regional, no sentido de saber “o que falhou para que a evacuação demorasse cerca de oito horas, quem são os responsáveis por essa mesma demora, e que consequências para a saúde dos sinistrados ela pode ter trazido?”.

O social-democrata defende “um Serviço Regional de Saúde que não viva envolto em casos de desorganização em prejuízo dos utentes”, e exige que o Governo Regional “tome medidas para que casos como este não se repitam. São os graciosenses que querem respostas e responsabilidades apuradas nesta situação que, mais uma vez, prejudicou uma ilha onde a saúde teima em não funcionar de modo satisfatório”, conclui.