O logro dos eleitos – Opinião de João Bruto da Costa
Publicado em 28 de Outubro, 2015

Tenho pena pelo meu país que 4 anos depois da bancarrota socialista, em que os portugueses tiveram de fazer pesados sacrifícios, com cortes de salários e pensões, perda de subsídios e aumentos de impostos, haja três partidos que, não tendo ganho as eleições, queiram unir-se apenas por revanchismo político e interesses pessoais.

Tenho mesmo pena que neste Portugal de grande coragem – que soube vencer todas as adversidades do jugo da falência deixada por socialistas que, também então, só pensavam em servir-se do Estado para governar as suas vidas e carreiras pessoais – subsista quem pense que os portugueses querem voltar a ter os seus impostos estourados na demagogia da extrema esquerda e na gula pelo poder do PS.

Tenho pena que à junção da vontade do PS em usurpar os cargos da governação se aliem as obsessões do BE e do Marxismo-Leninismo do PCP em apear da governação quem ganhou eleições, num quadro político e social que qualquer desses partidos apostaria ser impossível ver consagrar a quem liderou Portugal por entre as tormentas da maior crise da democracia.

Podia até sentir um pouco de satisfação porque, na verdade, estes actos insanos por parte de quem perdeu as eleições levá-los-á a largos anos de oposição e penalização política. Mas essa fugaz satisfação é rapidamente superada pelo asco de perceber que estão a atirar, novamente, o país para a crise económica a que se seguirá uma maior crise social que tanto custou inverter nestes 4 anos.

Não terei sentimento algum de compaixão quando assistir à destruição da base ideológica desta caldeação, agora gerada por aqueles que se associam por vingança política. Vingança essa que cegamente pensam estar a exercer sobre quem venceu as eleições mas que, na realidade, estão a fazer abater sobre o povo português por ter escolhido a continuidade da recuperação do país, protagonizada por quem livrou Portugal do jugo da Troika.

O resultado desta coligação negativa contra Portugal e contra o Governo escolhido pelos portugueses será o consagrar de uma bipolarização do espectro político português já que, havendo acordo entre PS, PCP e BE, de ora em diante os portugueses já sabem que quando votarem terão de escolher entre a junção destes partidos ou, por outro lado, a coligação entre PSD e CDS.

A partir de agora, aqueles que votarem PS, PCP ou BE sabem que o seu voto pode ser vendido a qualquer um dos outros partidos deste triunvirato.

Mas se isso nem traz mal nenhum depois de se terem revelado, o processo que leva a este resultado poderá ser penoso para o país.

E é isso que me amofina.

Todos estão conscientes que não fora o facto de não poder haver eleições antes de Maio de 2016 e nada disto estaria a suceder, pois todos sabem, também, o desastroso resultado político para estes partidos se hoje se repetissem as eleições.

Apostados nessa limitação PS, BE e PCP disponibilizaram-se para derrubar quem teve mais votos e recebeu mandato dos portugueses mas não contavam, todavia, com o exercício dos poderes constitucionais pelo Presidente da República.

É nesta insuportável hipocrisia política que ignora o superior interesse de Portugal que navega o PS Açores que, ao mesmo tempo que diz que quem deve governar é o líder do partido mais votado, vê o seu presidente “honorário” a liderar o grupo parlamentar que toma iniciativa de derrubar o governo empossado. Afinal para alguns há interesses maiores do que os do povo que os elegeu!