Estaleiros Navais da Madalena ao abandono
Publicado em 20 de Outubro, 2015

O PSD/Açores criticou “o estado de abandono e o grau de degradação” dos Estaleiros Navais da Madalena, na ilha do Pico, considerando que constituem “uma vergonhosa afronta do Governo Regional dos Açores, entidade que tutela a infraestrutura”.

O deputado social-democrata Cláudio Lopes lamenta que, “apesar das promessas reiteradas dos governantes para revitalizar aquela importante unidade, colocando-a ao serviço da Região, seja este o estado dos Estaleiros Navais da Madalena, sem darem as adequadas condições aos empresários da pesca e dos transportes marítimos dos Açores para ali realizarem as manutenções e as revisões de que as embarcações necessitam”, realça.

Cláudio Lopes recorda “as muitas declarações públicas, em particular de Vasco Cordeiro, enquanto titular da pasta da Economia e mesmo já como Presidente do Governo, inclusivamente a referir que a tutela estaria à procura de parceiros para a exploração dos Estaleiros Navais da Madalena”, pelo que quer saber “qual é a efetiva opção do Governo Regional para uma tão importante e estratégica infraestrutura”, questiona, num requerimento enviado à Assembleia Legislativa.

“O Governo Regional deve esclarecer se tem mesmo parceiros interessados nessa exploração, e em que fase se encontram essas negociações. Ainda mais porque não há qualquer intervenção agendada para os Estaleiros Navais da Madalena na Carta Regional das Obras Públicas 2020”, afirma.

“Em maio de 2014, foi publicado o interesse de empresas açorianas em assumirem os Estaleiros Navais da Madalena, sendo que a sua recuperação seria um elevado investimento do Governo, que anunciou a intenção de ali assegurar a manutenção de toda a frota açoriana, inclusive dos novos navios da Atlânticoline – Mestre Simão e Gilberto Mariano -, bem como do rebocador de Ponta Delgada”, lembra Cláudio Lopes.

O social-democrata refere também que a Atlânticoline “emitiu ontem um comunicado dizendo que o navio Mestre Simão vai interromper a sua operação por 6 semanas, e deslocar-se a um estaleiro do Continente para efeitos de certificação”.

E que o mesmo vai acontecer, “logo a seguir, com o navio Gilberto Mariano, sendo que o custo das docagens, para os dois navios, ascende aos 250 mil euros. Para além dos custos adicionais das tripulações, combustíveis e materiais relacionados com as próprias certificações”, acrescenta.

“Assim sendo, e se foi o próprio Governo Regional a deixar arrastar tantas promessas, e a fazer crer que se poderiam evitar os elevados encargos com manutenções realizadas fora da Região, nomeadamente na Madeira e no Continente, perguntamos claramente quando é que será cumprida a promessa de revitalizar os Estaleiros Navais da Madalena. Já que o atual cenário é mau demais para o relacionarmos sequer com as intenções atrás referidas”, conclui Cláudio Lopes.