Confiança renovada – Opinião de António Marinho
Publicado em 14 de Outubro, 2015

Tanto as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), como as do Banco de Portugal (BdP), apresentadas na semana passada, são a prova da boa governação dos últimos quatro anos e permitem concluir que a responsabilidade governativa deve ser mantida.

O FMI prevê “um crescimento da economia portuguesa de 1,6% este ano e 1,5% em 2016… Estas projeções são idênticas às avançadas na primavera e estão em linha com os números do governo que conta com um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,6% este ano. Apesar de manter as projeções para o andamento do PIB nestes dois anos, num contexto em que até reviu em baixa as estimativas de crescimento global, o FMI aponta para menores níveis de desemprego” do que os estimados em Abril.

A economia portuguesa suscita uma revisão favorável por parte do FMI, numa altura em que a economia mundial é alvo de uma revisão feita em sentido contrário. É um sinal de que Portugal se encontra no bom caminho, contrariando de forma clara as “bocas” de espiral recessiva em que socialistas e quejandos estiveram envolvidos até que a realidade os foi desmentindo. Acresce ainda a excelente notícia que é dada em relação ao comportamento previsível em matéria de emprego, já que, tendo o desemprego atingido percentagens acima de 17%, a tendência apontada agora pelo FMI é a de que se observe uma descida para pouco acima de 11%.

Quanto ao BdP, o cenário é semelhante. Manteve “as previsões de crescimento até 2017, esperando um aumento de 1,7% este ano, de 1,9% no próximo e de 2% em 2017, ano em que o PIB deverá estar próximo do de 2008”. Entende ainda que “”assentará no crescimento robusto das exportações e na procura interna”, prevendo “que as exportações cresçam 4,8% este ano, acelerando o ritmo de crescimento para os 6% em 2016 e para os 6,4% em 2017, estimativas que são mais otimistas do que as que o banco central avançou em Março” e que “a aceleração das exportações em 2015 reflete a evolução da procura externa e ganhos de competitividade-preço, num contexto de forte depreciação do euro”.

Ou seja, o BdP acredita que o nível do PIB caminha para o nível que se atingia antes do início da crise internacional. Para além de ser uma excelente notícia, que possibilita o reacender da esperança dos portugueses, fica provado que valeu a pena a responsabilidade de governação dos últimos anos. Felizmente, a situação crítica está ultrapassada e há agora bons motivos para considerar mais risonho o futuro da economia portuguesa.

Estas estimativas só surgiram depois de 4 de Outubro. Não constituíram, assim, um fator que possa ter pesado na decisão dos portugueses nas eleições realizadas nesse dia. Mas mesmo sem conhecer estas expectativas de entidades acima de qualquer suspeita, pela independência que lhes está associada, os portugueses entenderam dar a vitória a quem governou Portugal nos últimos quatro anos, renovando-lhe a confiança.

Nas urnas, foi decidido que Pedro Passos Coelho devia manter-se como primeiro-ministro. É assim em democracia. Caso qualquer outra solução governativa se viesse a desenhar, nada mais seria do que deturpar o que o povo decidiu.