António, isso é tudo muito bonito mas… – Opinião de João Bruto da Costa
Publicado em 21 de Outubro, 2015

Assisti nas últimas semanas, com espanto e desagrado, à convulsão política gerada pela forma como António Costa e o seu núcleo duro têm lidado com a derrota eleitoral do PS nas eleições de 4 de Outubro.

Muito se tem dito sobre a legalidade ou a constitucionalidade das intenções de António Costa em querer ser Primeiro-ministro, mesmo tendo sofrido a maior derrota do PS dos últimos 20 anos. Muito mais se tem dito sobre as desastrosas consequências de levar para o Governo, ainda para mais numa fase em que o país começa a recuperar da bancarrota, partidos que são contra a União Europeia, o Euro, os tratados europeus e ocidentais de que Portugal faz parte e que, em geral, advogam políticas que significam o isolamento do país e a desconfiança dos investidores e credores.

Tudo isso é de fácil compreensão e gera na sociedade portuguesa um certo nojo pela tentativa de assalto ao poder protagonizada por António Costa e seus apêndices em conluio com BE e PCP.

Mas há algo que me parece mais grave e que não posso deixar de salientar, numa altura em que a incerteza sobre os próximos meses se vai apoderando do país.

É mais do que notório que estes jogos e estratégias ocultas de tentativa de António Costa em salvar o seu actual momento político são verdadeiramente suicidas para a carreira política do próprio, a que se seguirão os que o empurram para este devaneio recheado de falta de senso comum.

Sucede que a par desta forma kamikaze de salvar a pele pela derrota de 4 de Outubro, António Costa e seu séquito estão a dar cabo do PS empurrando-o para a marginalização por muitos e bons anos.

Não será caso único na Europa um partido habituado a partilhar o poder ser encaminhado para a berma dos resultados eleitorais como castigo pelas sucessivas asneiras praticadas pelas suas lideranças, mas isso é algo que não desejaria para o meu país.

É certo que foi sempre o PS a dar cabo das finanças públicas e a correr para os braços do FMI nestes 40 anos de democracia, mas é igualmente desejável que o PS sobreviva a este desaire sem se tornar um partido de eleitorado residual como sucedeu noutras paragens.

Por mais que não concorde com muito do que é a estratégia seguida por socialistas como António Costa e seus apoiantes, o seu suicídio político pode significar o fim do PS enquanto alternativa de governo e isso pode gerar fenómenos de crescimento de extremismos, com tudo o que isso significa de retrocesso civilizacional para o país.

Seria sensato que a actual direcção socialista percebesse o verdadeiro sentido político dos resultados das últimas eleições e interpretasse com inteligência as razões dos portugueses terem voltado a confiar o seu voto ao actual Governo de Portugal. E esse resultado significa de uma vez por todas que o povo português analisa os seus governantes e políticos com muito mais critério e severidade do que fazia há alguns anos.

Não perceber que hoje as pessoas já não valorizam conversas bonitas e promessas de facilidades, mas, sim, optam por governos que procuram não desbaratar os impostos dos portugueses em políticas muito populares no imediato mas desastrosas num futuro próximo, é estar muito longe de ter percebido que os últimos anos operaram uma revolução na mentalidade dos eleitores que hoje preferem ter governantes que dizem a verdade e aplicam políticas de responsabilidade intergeracional.

A atitude de António Costa e restantes socialistas que o acompanham terá uma resposta nas urnas na primeira oportunidade.

Disso não tenho dúvidas!