A incerteza voltou – Opinião de António Marinho
Publicado em 28 de Outubro, 2015

Pois é! Depois de quatro anos vivemos novamente em clima de incerteza.

Se bem se lembram, em 2011 as dúvidas assaltavam a vida de todos nós.

O que iria acontecer depois de o país se encontrar à beira da bancarrota? O que estaria reservado aos portugueses depois de Sócrates ter conduzido Portugal a uma situação que tornou inevitável o recurso à ajuda externa? Teria o país condições de solver os compromissos financeiros decorrentes dos célebres 78 mil milhões de euros que a Troika emprestou a Portugal? E, face às contrapartidas exigidas pelos credores, seria possível pensar no retorno a níveis de desemprego mais suaves e ao crescimento económico?

Quatro anos passados, esses focos de incerteza esfumaram-se. Os receios redundaram em bons resultados, hoje em dia admitidos até pelos mais céticos. O esforço dos portugueses conduziu o país a bom porto.

É bom não esquecer, contudo, que durante este período os arautos da desgraça andaram a fazer das suas.

Que Portugal se encontrava em espiral recessiva. Era uma das “bocas” favoritas. Até que o país começou novamente a crescer e segue hoje em subida inquestionável.

Que o desemprego se ia manter em níveis alarmantes. Era outra frase ameaçadora que as esquerdas iam lançando, irresponsavelmente, junto das pessoas. Até que a respetiva taxa, acima de 17%, começou a descer e hoje está na casa dos 11%.

Que não era possível gerar os meios financeiros suficientes para pagar a quem nos tinha emprestado tanto dinheiro. Era até sugerido que o único caminho era reestruturar a dívida. E havia mesmo quem fosse mais longe e, como caloteiro militante, apontasse o “não pagar” como solução. Até que começaram a ser honrados os compromissos, inclusivamente com alguma folga, fruto da boa gestão financeira pública levada a cabo.

A Troika foi embora. O país saiu da zona de incerteza. Os esforços dos portugueses foram compensados. Quem foi governo, ganhou as eleições.

Foi quando o desespero tomou conta dos que perderam. Entraram em desvario profundo quando viram o seu futuro político obviamente ameaçado. E procuraram a esquerda da confusão e da instabilidade para lhes dar uma ajudinha.

Somaram percentagens de modelos antagónicos. Cozinharam uma amálgama ideológica de impossível consistência. Perverteram os valores democráticos, achando que quem ganhou as eleições não deve governar.

É verdade que na apreciação feita a 4 de Outubro se verificou uma rejeição liminar dos seus projetos. Mas eles nem ligam. Querem eles lá saber do que o povo decidiu.

Têm contradições insanáveis entre si. Mas tudo vale perante o cheiro a poder.

Apenas desejam servir-se à mesa do orçamento. Estão famintos.

É a batota dos derrotados. Que deita a perder a credibilidade recuperada por um governo responsável e com o esforço de todos nós.

Temos, novamente, a incerteza pela frente. Pela mão dos mesmos de sempre.

Os perdedores querem governar Portugal. À custa de um golpe na democracia.

P.S. – Neste percurso golpista, Costa ainda teve a desvergonha de afirmar que “há pessoas que têm mau perder e não se conformam com a realidade”. Como alguém comentava por aí, conseguiu dizer isto sem se rir.