“Passou-se”… mais uma vez – Opinião de António Marinho
Publicado em 09 de Setembro, 2015

Vasco Cordeiro voltou a “passar-se”. Desta vez, numa suposta abertura de umas “jornadas”, ao que parece, de “curta duração”.

Será que as notícias que lhe chegam sobre o próximo ato eleitoral não são famosas? Terá sido por esse motivo que foi pouco polido nas referências feitas aos seus opositores políticos?

O despautério foi de tal monta que alguém ao meu lado, atento ao que se passa na sua terra, mas não envolvido na vida política, ficou boquiaberto e a abanar a cabeça com as invectivas lançadas. Uma reação mista de espanto e reprovação pela pouca elevação de um discurso de alguém que ocupa um lugar de respeito na política regional.

Deselegante ou indelicado serão adjectivos suaves para a sua postura. Mas não queremos ir mais longe na caracterização do episódio lamentável que protagonizou.

Diga-se de passagem que não foi razão para grande admiração. É por demais conhecida a irritação que assola Vasco sempre que as coisas não lhe correm de feição. Nessas alturas, é recorrente que passe para um registo pouco próprio, contrastante com o que seria adequado ao cargo de presidente do Governo Regional.

Bem sabemos que é uma “presidência” teórica. Vista, mesmo pelos seus correligionários, como um simples “cargo de papel”.

No governo, é mais do que evidente quem tem “plenos poderes”. Estão guardados na gaveta da secretária de trabalho de quem mexe, entre muitas outras coisas, nos cordelinhos das finanças regionais.

E quanto ao partido? Bom, aí é tudo ainda mais evidente. Quem manda é quem sempre tem mandado. A “palavra” pertence a alguém que, com intervalos devidamente ajustados às suas conveniências, a detém há umas dezenas de anos.

E essa pode ser uma das razões para Vasco se “passar” de vez em quando. Seguindo as pisadas de quem o lançou na política, mas que nunca o deixou com a “autonomia” suficiente que lhe permitisse fazer o seu próprio percurso. O mesmo que até inventou um cargo honorário no partido para que a “palavra”, e o pulso, lhe continuassem a pertencer.

É sabido que César não tem qualquer pejo em se dirigir aos seus opositores com uma atitude pouco consentânea com os cânones da boa convivência entre pessoas. Quem não se lembra, por exemplo, da figura inconveniente, ou mesmo triste, que fez em cenário parlamentar, em que, para apelidar a oposição de invejosa, se pôs a ranger os dentes, roendo as unhas colocadas junto à boca?

E Sócrates? Bom, foram às dezenas os episódios conhecidos de irritação, em que a face se transfigurava pela ira. Qual menino pouco educado, até a família do visado era insultada.

E mesmo Costa, que até certa altura tentou manter uma postura serena. Só que agora são já bastas as provas de impaciência e intolerância, que o levam a tratar mal quem o confronta.

Quando Vasco se “passa”, até lhe damos o benefício da dúvida. Pode não ter a ver com as suas características enquanto pessoa. O que realmente lhe fará mal são os exemplos daqueles que lhe são próximos. E esses, de certeza, não o ajudam.

Sendo assim, contudo, fica a descoberto a sua “fraqueza”. O que é igualmente negativo, tendo em conta que ocupa um cargo decisivo no sistema autonómico açoriano.