O emprego. Prioridade absoluta – Opinião de Cláudio Lopes
Publicado em 11 de Setembro, 2015

Os governos, da República e dos Açores, têm de assumir, de uma vez por todas e com políticas consequentes, o combate ao desemprego como a prioridade das prioridades!

Nenhum cidadão ou família consegue viver com a dignidade mínima que merece, se for vítima de desemprego.

Falo de emprego sustentável. Não de políticas paliativas como os programas de ocupação temporária a que abusivamente os governantes vão chamando de emprego e mitigando as estatísticas relacionadas com o desemprego.

Longe vão os tempos em que o emprego era fácil, na administração pública ou nas empresas. Nem eram necessárias grandes habilitações académicas para se obter um emprego bem remunerado e estável. Aos licenciados não faltavam oportunidades também. Para alguns, era mesmo uma questão de escolher o mais conveniente.

Pertenço a uma geração “afortunada” a esse nível. Já o mesmo não posso dizer da geração a que pertencem os meus filhos.

Tudo está muito diferente e mais complicado. O emprego fácil e estável não existe. Temos por aí, no país e na Região, a geração mais qualificada de sempre que está, na sua generalidade, desencantada e frustrada com a ausência de resposta que o país e a Região lhe oferecem.

Muitos emigram e vão contribuir com o seu talento e qualificações académicas para o progresso dos países que os acolhem. Nós ficamos sem esse capital intelectual, sem a energia e a capacidade de realização própria da juventude, mesmo depois de termos investido tanto na sua formação académica. O Estado e as famílias, algumas com elevados sacrifícios.

Nos últimos anos, as taxas de desemprego, a nível nacional e regional (cá, absurdamente superiores), atingiram máximos históricos.

Estas taxas não podem encontrar desculpa, como muitos governantes pretenderam, na crise europeia e mundial. São resultado de políticas erróneas e erradas, da governação nacional e regional, cujo resultado tem sempre um efeito retardador.

Por isso, o elevado desemprego que se atingiu no país, tem de ser ligado aos tempos de governação de Sócrates e na Região aos tempos de governação de Carlos César.

A não existência de boas políticas económicas degrada o emprego. E procurar resolver o desemprego com meras políticas assistencialistas não resolve o emprego sustentável.

De pouco vale também o discurso dos governantes de que o desemprego está a baixar. Por um lado porque são descidas muito ténues e por outro porque são sempre em referência a taxas que atingiram valores muito elevados nos últimos anos.

Taxas de desemprego cujos valores atingem os dois dígitos devem preocupar e envergonhar qualquer governação.

Nas últimas décadas temos tido muitos milhões disponíveis. Eles gastaram-se, mas nem por isso a qualidade de vida dos cidadãos, de modo geral, melhorou.

Os tempos são de grande exigência para os governantes mas também para quem os escolhe.

O voto de todo e qualquer cidadão não é apenas uma escolha, é, acima de tudo, um compromisso com responsabilidade futura.

O grande compromisso da nossa geração de pais é o de rasgar caminhos de esperança e de motivação à geração dos nossos filhos. Essa missão não pode ser exclusiva dos governantes, embora estes tenham uma responsabilidade especial.

A escolha dos governantes não pode ser mais uma escolha interesseira, individualista e primária. Tem de ser uma escolha responsável!