Não fomos nós, foi a cabala! – Opinião de João Bruto da Costa
Publicado em 16 de Setembro, 2015

O debate político em Portugal entrou num corrupio de insanidade que se assiste a uma espécie de demência colectiva, que admite o estapafúrdio para discussão ou debate.

Lembrou-se o líder do PS, e que quer passar a ser o chefe de mais um governo PS em Portugal, de elaborar na ideia de que foi o PSD que chamou a troika e com ela o plano de ajustamento e a austeridade dos últimos anos.

Tem-se classificado esta conversa de “mistificação” e por essa via elaboram-se as mais rebuscadas teorias sobre o passado recente de Portugal e os desígnios do país a braços com a bancarrota deixada aquando do pedido de ajuda externa.

Mas “mistificação” é apenas mais uma forma de se andar a debater uma ideia estúpida e desprovida de sentido.

Aquilo a que assistimos é uma “mitomania”, transportada ao colectivo pela falta de alternativa de discussão de modelos políticos, sendo que passámos a presenciar um debate sobre uma ideia que só tem “história” porque são os socialistas a acreditar nas teses mitómanas e a construir a argumentação para as justificar.

A mitomania, grosso modo, significa que alguém elabora ou argumenta em torno de uma mentira, chegando ao ponto de acreditar que a mentira a partir da qual iniciou a sua argumentação é, afinal, verdade.

A partir daí a discussão sobre a questão em concreto torna-se simplesmente um perder de tempo.

Neste país passou a ser normal aceitar que o PS explique que tudo o que fez de grave ou que levou à ruína de Portugal seja justificado como fruto de uma espécie de cabala ou de conjugação de forças, umas ocultas, outras imaginárias, ou outras sobreavaliadas em associação com as restantes, que faz com que tudo de penoso para os portugueses, que deriva das acções ou governações dos socialistas, tenha tido um conjunto de causas, urdidas em surdina para prejudicar essa boa gente que grassa pelo Largo do Rato e que tanto se esforça por governar Portugal.

Nesse sentido, quem chamou a troika foi o PSD, maior partido da oposição que levou um pobre de um primeiro-ministro socialista, mais o seu ministro das finanças, que governava ia para seis anos, a sentar-se horas a fio com os membros da Comissão Europeia, do FMI e do BCE, a negociar um acordo que depois, triunfantes, anunciaram ao país apenas as medidas menos más – bem, na verdade um anunciou triunfante, o outro apenas ficou calado – e se formos a ver bem, na parte que não se vê da imagem da comunicação ao país desse momento de mais um decapitar de soberania, lá está uma cabala, autora de tudo isso ou, de certeza para quem vive o mito, manipuladora dos acontecimentos que, coitados, os socialistas tiveram de passar!

Convenhamos que se é para se ter debate político, minimamente saudável, temos de parar para pensar o porquê de haver um PS em Portugal agarrado a fantasmas e a mitos, acreditando nas mentiras que inventa para gerar debate.

E a realidade é que depois dos pântanos de Guterres e da bancarrota de Sócrates, o PS nada mudou e acredita que foram sempre os mitos e os fantasmas que lhes trouxeram insucesso. Nunca foi a sua estratégia e pensamento político, que renovam com António Costa, nem os executores dessa estratégia e desse pensamento que afundaram sucessivamente Portugal, foram todos os outros!

Foram as cabalas da justiça, da economia, do petróleo, do terrorismo, dos bancos, da austeridade, não necessariamente por esta ordem, que deram cabo dos projectos de futuro que os socialistas, agora liderados por Costa, querem para Portugal.

E por isso voltam a querer tudo outra vez!