Escolhas – Opinião de Luís Garcia
Publicado em 26 de Setembro, 2015

1. No próximo dia 4 de Outubro os Portugueses serão chamados às urnas para escolher os deputados da nova Assembleia da República e, nessa sequência, o Governo de Portugal. Estas eleições acontecem no final de uma legislatura muito difícil. Este Governo recebeu o País à beira da bancarrota, fruto da governação irresponsável do PS e de José Sócrates, que se viu obrigado, já em desespero, a pedir ajuda externa. Em maio de 2011, o governo de José Sócrates já não tinha dinheiro para pagar salários e pensões nem capacidade para se financiar. Entrou a Troika em Portugal pela terceira vez em quarenta anos de democracia e as três vezes chamada pelo PS para cobrir as suas irresponsabilidades.

Foi, por isso, um período de muitos sacrifícios para os portugueses. Houve a necessidade, diria mesmo a urgência, de se tomarem medidas difíceis que ninguém gosta de tomar. Registou-se muita oposição a essas medidas e ao modelo encetado, muita dela vinda mesmo dos partidos que suportam o Governo e de uma Comunicação Social na generalidade eco feroz das mensagens mais desfavoráveis. Ao longo deste caminho muitos foram os que não acreditaram que Portugal conseguiria ultrapassar tantas adversidades. Muitos preconizaram um segundo resgaste. Depois já anteviam um programa cautelar. Mas nada disso foi preciso para a saída da Troika.

Aconteceram eleições neste percurso e, sobretudo nas autárquicas, o PSD foi muito penalizado. Mas foi preciso em nome de Portugal colocar os resultados eleitorais em segundo plano. Houve dificuldades dentro do Governo mas com a tenacidade do seu líder foram ultrapassadas e este é o primeiro governo de coligação que em Portugal chega ao fim de uma legislatura.

Mas se o Governo manteve a estabilidade política vital para o País, o maior partido da oposição viveu em constante instabilidade. A meio do caminho António Costa assaltou o poder no PS e retirou de forma desleal o tapete a António José Seguro.

2. É evidente que nem tudo correu bem nesta governação. Cometeram-se erros e há muita coisa que precisa de ser corrigida, sobretudo, em termos de desigualdades sociais. Tomaram-se algumas decisões em relação aos Açores e ao Faial que contaram, contam e contarão com a minha discordância. A seu tempo elas terão de ser corrigidas. Porém, temos de ser justos e objetivos: Portugal conseguiu vencer e este tinha de ser o principal objetivo desta legislatura. A Troika foi embora, a economia dá bons sinais, o desemprego desce de forma sustentável, o país voltou a financiar-se em condições normais e recuperou a credibilidade e a confiança internacional.

Esta vitória do País deve-se em primeiro lugar aos Portugueses que na generalidade compreenderam e foram parte ativa nesta batalha. Mas deveu-se também ao Primeiro-Ministro de Portugal. Ele foi o verdadeiro homem do leme. Nunca abandonou o barco. Nunca deixou de fazer o que tinha de ser feito. No meio de tantas dificuldades políticas e até pessoais, resistiu e persistiu. Acreditou em Portugal e nos Portugueses. Pedro Passos Coelho é hoje uma referência de estabilidade, previsibilidade e confiança. Com ele sabemos com que contamos.

3. Devo confessar que hoje é fácil escrever e opinar sobre tudo isto. O difícil foi traçar este rumo e mantê-lo apesar de tantas adversidades. E é fácil agora porque os resultados estão aí aos olhos de todos.

Tive muitos momentos em que discordei de decisões deste Governo. E creio que isso aconteceu com muitos portugueses. Confesso que ao longo desta legislatura duvidei muitas vezes deste caminho. Hoje tenho de admitir que percebo que o caminho que percorremos, com uma ou outra diferença, tinha de ser percorrido. E quando olho para o que se passou e passa na Grécia essa perceção fica ainda mais clara. Nenhuma família, nenhuma empresa e nenhum país consegue ter um bom futuro com as contas desequilibradas e a gastar o que não tem. Era pois inevitável colocar as contas públicas em ordem e operar uma transformação no nosso modelo de desenvolvimento económico.

4. Agora os Portugueses terão de escolher. E acho que essa escolha nunca foi tão fácil. Temos, provavelmente como nunca, em presença dois modelos bem distintos e dois candidatos muito diferentes – Passos Coelho e António Costa. Ou escolhemos continuar este caminho de recuperação com as contas públicas equilibradas e crescimento económico sustentável ou escolhemos regressar ao modelo irresponsável e do facilitismo que nos trouxe a esta crise e que promete tudo a todos.

Fico perplexo com o modelo subjacente ao programa eleitoral socialista baseado principalmente no consumo, o que prova que não aprenderam nada com os seus erros e além disso constitui um desrespeito pelos sacrifícios que os portugueses tiveram de fazer fruto desses erros.

A escolha é, portanto, muito simples: escolhemos quem nos levou à crise ou escolhemos quem nos tirou da crise. Pelo futuro do meu País eu escolho quem nos tirou da crise e foi capaz de salvar Portugal.