E as Termas do Varadouro? – Opinião de Luís Garcia
Publicado em 10 de Setembro, 2015

1. Já todos ouvimos membros do Governo Regional, deste e de anteriores, afirmarem que o turismo de saúde e bem-estar é uma prioridade para a nossa Região. Comungo desse objetivo. Para tal é imperioso que qualifiquemos a nossa oferta turística potenciando os nossos recursos naturais.

Neste domínio no Faial destaca-se as Termas do Varadouro, cujas águas sulfurosas foram descobertas em 1868 e eram consideradas das melhores do país para o tratamento de doenças de pele e reumáticas, mas que estão há muitos anos abandonadas, degradadas e incompreensivelmente subaproveitadas. Este investimento reprodutivo é mais um que na nossa ilha tem sido vítima de sucessivos adiamentos, fruto de promessas que nunca foram cumpridas e que é bom avivar.

2. No longínquo ano de 1999 o Governo tornava público que tinha mandado “elaborar o projeto de reabilitação das Termas do Varadouro, a fim de dotar esta estrutura das condições necessárias ao seu aproveitamento em atividades ligadas à terapia termal, à talassoterapia e ao lazer.” Mas logo o Secretário Regional Duarte Ponte, de má memória para o Faial, começava a arranjar desculpas: “a fonte termal desapareceu”; “não era fácil recuperar aquele furo”; “temos que encontrar outro local para fazer outra perfuração”; e “ a água não tem uma temperatura elevada”.

Esquecendo tudo o que havia dito e prometido, em 2005, Duarte Ponte acrescentava a este processo nebuloso mais uma desculpa e prometia “fazer um estudo prévio, que pusemos na Câmara Municipal, para rearranjar toda aquela zona. É um compromisso nosso que vamos assumir nesta legislatura” (2004-2008).

3. Em Junho de 2007 o Governo encarregou a sociedade “Ilhas de Valor, SA” de promover e desenvolver os investimentos previstos para os projetos termais do Carapacho (Graciosa) e da Ferraria (S. Miguel), enquanto as Termas do Varadouro ficaram de fora deste procedimento, esquecidas e adiadas à espera de privados interessados, revelando, perante investimentos semelhantes em ilhas diferentes, uma dualidade de critérios que até hoje ainda não foi devidamente explicada.

No ano eleitoral de 2008 as Termas voltaram a ser alvo de nova promessa. Duarte Ponte garantia que iam ser reativadas mas “o Governo pretende fazê-lo integrando aquela estrutura num projeto mais vasto que inclui também a construção de um Hotel SPA”. E este teria “dois pisos e 50 quartos e será destinado ao Turismo de Saúde”.

Para isso o Governo ia “lançar um concurso para a exploração das Termas. Os privados que concorrerem ficarão obrigados a construir a nova unidade hoteleira”, lançando o “desafio aos empresários faialenses para avançarem”. Mas logo apareceu um problema que inviabilizava esta fantástica promessa: o projeto tinha de ser alterado para desviar o edifício da arriba, devido a um parecer do Laboratório Regional de Engenharia Civil.

4. Nova legislatura, novas promessas. Em abril de 2009, Carlos César, menos efusivo do que Duarte Ponte, referindo-se àquelas Termas, afirmava que estavam a estudar as “possibilidades que encerram”. Já com Vasco Cordeiro na Secretaria da Economia, em 2011, este reafirma que “há privados interessados nas Termas do Varadouro”. A 16 de janeiro de 2012 deu entrada na Câmara um Pedido de Informação Prévia relativo a esta intenção de investimento. A Câmara sempre calada e cúmplice de todo este processo conturbado deu o seu apoio a esse pedido.

5. Pelo meio fica mais uma peça deste processo que nunca chegou a ser bem explicada. Em novembro de 2011, o Governo cedeu “a título definitivo e gratuito, ao Município da Horta” os prédios urbanos e rústicos afetos à remodelação e requalificação das Termas. Apenas dois meses depois, o Governo desistiu da cedência dos terrenos à Câmara e entregou-os à SPRHI – Sociedade de Promoção e Reabilitação de Habitação e Infraestruturas, SA.

6. Na resposta a um requerimento dos deputados do PSD eleitos pelo Faial, em Fevereiro de 2012, o Governo garantia que o processo da recuperação das Termas do Varadouro estava em andamento e que o Governo “selecionou um parceiro privado, que é um investidor externo à Região, com experiência na área do termalismo”. Como fez essa seleção ninguém sabe.

E de novo, no final de mais uma legislatura, era preciso entreter os Faialenses e então finalmente esse empresário aparece e reconhece a existência de negociações, mostrando-se satisfeito com a forma como estavam a decorrer e diz que, para a concretização daquele investimento, “será necessária uma união de esforços”.

7. Estamos a caminho do final de mais uma legislatura e o assunto parece que caiu no esquecimento. E isso é tanto mais estranho quanto correm rumores que há empresários faialenses interessados, os tais que foram desafiados a avançarem, mas que o Governo Regional preteriu em favor do tal empresário externo.

Provavelmente em 2016, último ano da legislatura, alguém puxará mais um coelho da cartola, ou melhor, de mais uma promessa …

A tática tem sido sempre a mesma! Será que ainda há quem acredite? Será que a maioria dos faialenses continuará, com o seu voto, a apoiar quem assim tem procedido?