Campanha e campainhas – Opinião de João Bruto da Costa
Publicado em 26 de Agosto, 2015

Vejo com estranheza a superficialidade com que o PS/Açores tem vindo a tratar os importantes temas do país na campanha para as legislativas nacionais.

É interessante constatar que nos últimos actos eleitorais para a Assembleia da República, nos Açores, o PS toma como bandeira as relações de influência que a região tem em Lisboa. Não na Lisboa das decisões sobre o futuro de Portugal, mas na Lisboa do Largo do Rato e dos corredores da sede do PS Nacional, onde os socialistas açorianos mais preponderantes se arrastam pelas paredes e soleiras de porta em mais uma palavrinha e mais um pé de orelha.

Para o PS/Açores as eleições nacionais são assim uma espécie de jogo de cadeiras para mais umas festas mas onde, curiosamente, ninguém é suposto ficar sem ter onde sentar a magnificência do seu contributo para o prometido lugarinho. Ou seja, sobre Portugal e o futuro do país limitam-se a dizer que são mais amigos de tudo quanto é bom, e tudo quanto é mau é culpa dos outros, e fazem-no conscientes do seu papel no regime socialista que enraizaram nos Açores e na governação que, ao fim de vinte anos, apenas aprendeu a servir-se do poder para permanecer no poder.

É assim que vemos uma campanha em que falam do social, visitam umas instituições apenas para dizer que são mais defensores do social do que os que governaram sob intervenção externa, mas esquecem que só podemos defender o verdadeiro Estado Social – em que aos mais frágeis são dadas as mesmas oportunidades que os mais afortunados dispõem – se garantirmos a sua sustentabilidade e o pagamento atempado dos compromissos coisa que, como se sabe, os socialistas têm grande dificuldade em assegurar.

Para além de que estes vinte anos de socialismo nos Açores já deviam ter ensinado aos próprios candidatos socialistas que todos os açorianos já sabem que a obra social feita pelas IPSS é geralmente apoiada por fundos comunitários, com uma participação dos próprios fundos das instituições (a não ser que haja outras formas!) e que, entretanto, lá aparecem os habituais formulários de cobrança das pessoas do socialismo dos Açores na feição mais que conhecida de quererem condicionar toda a sociedade.

Também quando falam de social deviam ter noção de que todas as pensões, abonos de família, RSI e verbas para acordos com IPSS, que tanto fazem brilhar algum socialismo cobrador de votos, são de facto verbas dos Açorianos que em nada se devem a qualquer motivação socialista, pois o facto de recebermos esses valores deve-se a transferências do Orçamento do Estado.

Por isso fico perplexo com as campanhas que escondem o que estamos mesmo a discutir, e que não passa por acomodar pessoas a lugares ou a gerir carreiras políticas ou pessoais.

Campanhas que acham que temos que ter socialismo na República para que os Açores evoluam, mas que não explicam por que razão, após 20 anos de socialismo açoriano e com governos do PS na República não foram capazes de retirar os Açores da cauda dos mais relevantes indicadores, nomeadamente na área do social!

O que isto revela, no fundo, é que tantos anos de socialismo nos Açores, 16 dos quais com o ainda líder deste socialismo de ciclos de pobreza e exclusão social, nada ensinaram aos que se encostam e cerram fileiras por detrás de um regime que trouxe, continuamente, os Açores para baixo das suas potencialidades, criando dependências e impedindo o verdadeiro desenvolvimento humano e social.

O regime e a sua velha receita vão tocar muitas campainhas, mas as portas deixam de abrir.