Últimos na coesão. Critérios à escolha – Opinião de João Bruto da Costa
Publicado em 08 de Julho, 2015

O relatório do INE sobre o índice de desenvolvimento regional, recentemente publicado, veio por a nu alguns dos mitos do poder socialista dos Açores colocando a região no último lugar no que respeita à coesão.

E o mito de que no continente se está pior porque não governa o PS cai, imediatamente, quando percebemos que, nos Açores, governados por socialistas há já duas décadas, a região teima em ter os piores resultados quando se analisa o desenvolvimento humano e a coesão social e territorial.

O governo dos Açores, confrontado com esta realidade insiste em alimentar o mito, como se pudéssemos melhorar resultados só porque o poder insiste que somos melhores. E na sua perpétua fase de negação, dizem: “Nada disso! está mal, o relatório está mal feito! Não podemos comparar factores que nos Açores têm de ser vistos de forma diferente! E que nos prejudicam colocando-nos em último, injustamente.”

É o habitual truque populista de dizer: “essa gente não sabe o que é viver em ilhas e usa critérios que não são correctos!”.

Mas procuremos então dar razão aos socialistas insulares e às suas desculpas para que os Açores não sejam a região com piores resultados para o índice de desenvolvimento regional, vamos então procurar critérios económicos e sociais que nos distingam pela positiva e que nos façam melhorar no índice, qualquer que ele seja.

Lamentavelmente não encontramos assim, sem escavar algum dado fornecido pelos socialistas dos Açores, resultados que possamos ter para contrariar as conclusões do INE e que não dêem uma imagem tão negativa de 20 anos de governação do PS.

Se recordássemos os 70 mil açorianos isentos de taxas moderadoras na saúde poderíamos pensar nisso como positivo, são açorianos que não pagam taxas moderadoras! Mas olhando para o facto dessa isenção ser exclusiva da sua condição económica, temos de convir que isso não nos coloca lá muito bem em nenhuma estatística.

Se pensássemos que somos a região em que maior percentagem da população recebe o RSI, poderíamos ser levados a pensar que aqui há um Estado Social presente no auxílio a quem mais necessita. Mas se olharmos a que o RSI é despesa do Orçamento de Estado e que são os mesmos critérios de atribuição em todo o país e nos Açores há uma percentagem de pessoas a necessitar desse apoio que é 4 vezes superior à percentagem do país, temos de concluir que também não é por aqui que podemos olhar para os índices de desenvolvimento e tecer qualquer crítica.

Se tivermos como linha de análise do nosso desenvolvimento económico e social o alcoolismo e dependências, a violência doméstica, a gravidez na adolescência, a percentagem de crianças com apoio social escolar, o desemprego, em especial o desemprego jovem, os 50 mil pensionistas com uma pensão média de pouco mais de 300 euros, ou os que nos Açores, em 2011, estavam abaixo da linha de pobreza e que, em percentagem de população, eram mais do que em 2014 os continentais na mesma situação, se quisermos mesmo encontrar dados que ajudem os socialistas a justificar o erro do último lugar que o INE nos atribui no índice de desenvolvimento regional no que toca à coesão, teremos de procurar em algum discurso de campanha de um inflamado membro destas duas décadas de socialismo insular, porque, dê por onde der, a realidade insiste em desmentir as desculpas para a má governança que atingiu os Açores e que obcecadamente teimam em negar.

O socialismo dos Açores continua a fazer crer que os outros estão pior, mas é a impiedade dos números que o contesta.