Tenham vergonha! – Opinião de João Bruto da Costa
Publicado em 22 de Julho, 2015

Sinto uma grande revolta por ter de voltar a falar do desespero que vive a ilha Graciosa, envolta num contínuo isolamento e onde é cada vez mais difícil ter uma mobilidade que permita ambicionar algum desenvolvimento.

Isso mesmo provam os últimos números das dormidas na ilha, com os primeiros 5 meses de 2015 a rotularem de descalabro o sector do turismo que já perdeu, até Maio, mais de 16% de dormidas e outro tanto de proveitos a que se soma uma diminuição da estada média de 7,5%.

Também os Graciosenses sentem, há bastante tempo, a dificuldade em encontrar forma de entrar e sair da ilha, com os voos repletos de listas de espera, no que se revela ser um estrangulamento à mobilidade.

Nada disto é novidade e isso gera enorme revolta, pois são recorrentes os alertas, as denúncias e os pedidos por melhores horários e maior disponibilidade de lugares.

Tem sido invariavelmente assim, quando se entra no período de verão ou de inverno IATA, temos que estar sempre a denunciar o esquecimento das necessidades da ilha, que são continuamente ignoradas pelos responsáveis que não podem continuar a sacudir a água do capote, como se não fossem a sua falta de iniciativa, por um lado, e obediência cega ao directório político-partidário, por outro, a fazer com que a Graciosa sinta este sufoco inaceitável.

Depois há a desfaçatez do Governo Regional e do Partido Socialista, a que se juntam Câmara Municipal e restante claque política, que insistem em encontrar as desculpas mais estapafúrdias para que a ilha esteja em acelerado processo de desertificação humana e desaparecimento de negócios ou ausência de iniciativa, sim, porque as más políticas, o isolamento e o abandono da Graciosa levam à desesperança, à saída dos jovens e ao encerramento de negócios.

E se por via aérea está cada vez mais complicado dar à Graciosa as acessibilidades de que necessita, por mar já se preparam para deixar a Graciosa a ver navios com as novas obrigações de serviço público que vão deixar a ilha entregue a uma sazonalidade que só pode significar uma estratégia de maior abandono e esquecimento.

Só mesmo a ignorância histórica pode fazer pensar que a Graciosa não precisa de mais regularidade de transportes marítimos todo o ano, como existiu em tempos e que permitia a uma ilha que pode produzir no sector primário, durante todo o ano, uma enorme variedade de produtos ter uma escala de mercado 10 a 20 vezes superior à sua população! Custa assim tanto a perceber?

E se não custa perceber também não custa enxergar que não se podem continuar a desbaratar empreendimentos como as Termas do Carapacho, em que assistimos a uma forma estranha de anúncios, onde primeiro aparece um Director Regional a dizer que as Termas iriam ter um novo concessionário que ia abrir uns gabinetes de fisioterapia mais a piscina de água quente e jacuzzi sem qualquer concurso, e só depois preparariam um verdadeiro concurso para a concessão daquele importante espaço! Entretanto, foi o próprio Governo que abriu as portas da piscina de água quente e jacuzzi e andam a pedir por boca a quem quiser que manifeste interesse pela exploração daquele local!!!

Ou seja, um não concurso para uma entrega eventualmente já programada, a que não deve escapar também o Hotel da Graciosa que, já se sabe, deixando de ter as Termas associadas ao empreendimento deve estar para breve alguma mudança, igualmente programada politicamente.

Tudo isto desbarata as potencialidades da ilha e afunda, ainda mais, as ambições das suas gentes.

Tenham vergonha!