Reflexão para férias – Opinião de António Marinho
Publicado em 29 de Julho, 2015

Férias! Sim, para muitos é este o momento próprio. Ainda que cada vez mais se opte por outras alturas do ano para gozar um período de merecido descanso.

Para outros, não será agora e dificilmente será noutra altura.

Para os desempregados, por exemplo. Porque, por força da sua condição, uns há mais tempo, outros há menos, não têm trabalho. Consequentemente, não podem dele retirar os proventos necessários ao sustento das suas famílias. Para esses, o período de descanso trata-se, afinal, de mais um tempo de preocupações acrescidas face à débil situação que vivem.

Para outros, nem se trata de uma situação ocasional, atinja esta maior ou menor duração. Falamos, de forma mais generalizada, de todos os que vivem abaixo do limiar da pobreza. E, infelizmente, estamos a falar em muitos milhares de Açorianos. São aqueles que andam permanentemente em busca de recursos, normalmente parcos, que possibilitem suprir necessidades essenciais a qualquer ser humano. Também para esses, falar em “férias” é até ofensivo, tendo em conta o contexto quase estrutural que os afeta.

Por isso mesmo, as férias, para aqueles que têm uma vida feliz, são um momento de reflexão sobre as causas que estão na base dos graves problemas que afetam a sociedade em que vivemos.

Quanto ao que se passa nos Açores, seria até ridículo restringir as culpas ao que vem de fora. Em grande medida, não sendo causa isolada, o que existe é resultado de opções adotadas durante quase vinte anos de governação socialista. Quer das que provêm da sua iniciativa, quer as que surgiram como resposta a uma crise que assolou toda a economia mundial, quer, ainda, pela falta de resposta que muitas vezes existiu.

Como é óbvio, não podemos igualmente esquecer os efeitos do que se andou a fazer no país durante largos anos. E aqui, obviamente, cabem os desastres provocados por uma política irresponsável que levou o país à bancarrota em 2011. E cabem, também, com importância significativa, as medidas de ajustamento que inevitavelmente tiveram de ser implementadas para fazer regressar o país aos caminhos da racionalidade, perdida quando Sócrates conduziu os destinos da governação.

Estas férias são um momento único para avaliar este último domínio que apontámos. Porque daqui a cerca de dois meses os portugueses vão ser chamados a pronunciar-se nas urnas.

E a opção, basicamente, é entre dois modelos. O que pretende voltar a uma governação sumptuosa a que só os países ricos podem aspirar, mas que conduziu Portugal à situação de nem sequer ter dinheiro para pagar os salários que dependem da coisa pública. E o daqueles que tiveram a ingrata tarefa de reposicionar o país no caminho da razoabilidade, adotando medidas duras que, sendo indesejáveis, produzem hoje resultados evidentes em matéria de crescimento e criação de emprego.

Estas férias serão uma boa altura para refletir na escolha a fazer nas próximas eleições.

Costa, imbuído de um forte radicalismo e com o fardo do amigo Sócrates às costas, pretende regressar aos caminhos do dinheiro fácil. Passos Coelho, com serenidade, traz consigo a garantia de que devolveu a credibilidade a Portugal.