O governo “passa culpas” – Opinião de António Marinho
Publicado em 01 de Julho, 2015

É espantoso o descaramento do governo regional quando se esquiva a “notícias” incómodas sobre resultados decorrentes das suas opções. Se as mesmas lhes são desfavoráveis, é mais do que certo que a conclusão dos responsáveis governamentais, bem como dos seus acólitos partidários, é que o mal está do lado de quem as produz.

Nem por sombras admitem que o caminho que escolheram é que pode ser o verdadeiro causador das desgraças. E o mais grave é que esse é o primeiro passo para não identificarem erros que possam ter cometido, nem, consequentemente, para introduzirem os necessários fatores de correção. Ou seja, é o primeiro passo para que o pagamento da fatura seja feito pelos “beneficiários” últimos da governação: as famílias e as empresas açorianas.

Da mesma forma que não se coíbem de fazer leituras opostas daquelas para que os documentos apontam, viciaram-se em “passar culpas”. É uma atitude que faz parte do ADN socialista. E dificilmente muda.

Atentemos neste episódio recente.

Foi divulgado, pelo Instituto Nacional de Estatística, o Índice Sintético de Desenvolvimento Regional referente a 2013. Baseado num “modelo concetual que privilegia a visão multidimensional do desenvolvimento regional”, tem 3 componentes.

Na componente “Qualidade ambiental”, a Região ocupa um honroso 7º lugar entre 25 regiões nacionais. Que mais se poderia esperar de um arquipélago em que as suas ilhas estão dotadas de características únicas e de excelência nesse domínio?

Na componente “Competitividade”, os Açores ocupam o 18º lugar entre as 25. Posição fraca num domínio onde o governo socialista diz estar a fazer um trabalho que diz ser notável e onde tem aplicado avultados recursos financeiros.

Na componente “Coesão”, a Região ocupa o último lugar. Justamente o domínio onde se deveria estar a dar cartas e em que se impunha cuidar permanentemente do caminho de aproximação entre as nove ilhas. Para que não haja Açorianos a ver a sua vida andar para trás em relação a outros Açorianos a quem a vida vai correndo melhor. Uma óbvia questão de solidariedade, à qual o governo diz também estar a afetar inúmeras medidas.

Enquanto a primeira componente beneficia de dons que a natureza concedeu aos Açores, os dois restantes devem-se às opções políticas que têm sido adotadas pelo governo socialista. Ou seja, onde o governo está a mexer, os resultados mostram-se preocupantes.

Contas feitas, nem a ajuda da questão ambiental permitiu uma posição razoável dos Açores no Índice, em termos globais. Ocupam a 24ª posição entre 25. A penúltima.

E o que disse o governo? Contestou a qualidade técnica da medida. Chutou para canto.

Não é assim que se resolvem os problemas que a mesma medida identificou. Foi, apenas, uma forma de tirar o peso de cima das costas.

E que tal procurar caminhos para que a situação se possa inverter? Ou, pelo menos, para que existam melhorias? Não é essa a responsabilidade que deve ser assumida por quem tem as rédeas do poder?

Por mais uma vez, viu-se um governo afundado em desculpas. Um governo que se demitiu de procurar soluções.

Um governo que “passa culpas”… apenas esconde a sua incompetência.