Exportações e importações – Opinião de Luís Pereira de Almeida
Publicado em 19 de Julho, 2015

Os últimos anos foram caracterizados por uma subida das exportações e uma contenção das importações. Foi bom para as contas externas e para a economia portuguesa. Num enorme esforço os empresários foram para o estrangeiro e os portugueses reduziram o consumo de bens importados.

Com o passar da crise era esperado que as importações voltassem a subir, por alguma reanimação do consumo, credito mais fácil e maior investimento. Apesar das exportações continuarem num bom caminho, temos assistido a um aumento das importações.

Dependendo de que importações se tratam até pode não ser negativo. Imagine-se que são importações resultantes de decisões de investimento, mais tarde ou mais cedo o efeito na economia será positivo, ou porque se vai exportar mais ou porque se vai importar menos.

Porém, se forem importações de bens para consumo interno o efeito multiplicador na economia nacional é diminuto. Dentro das importações há sempre rubricas que me “assustam”.

Por exemplo, quando tomamos conhecimento que é em Portugal que as vendas de carro mais sobem na Europa é sempre um susto. Será que os portugueses voltaram ao culto do carro novo? Serão carros comerciais, indicador de maior investimento? Serão carros para aluguer para responder ao aumento do turismo, que tem sido uma importante alavanca da economia nacional? Esperemos que grande parte seja justificado por boas causas.

O governo de Portugal pretende que as exportações tenham um peso no Produto Interno Bruto de 50 por cento. É um objetivo ambicioso mas, dada a evolução recente, perfeitamente alcançável. Tudo isto depende mais dos cidadãos do que do governo, se cada um fizer a sua parte chegaremos lá.

O consumidor individual pode e deve fazer a sua parte, por exemplo olhando para as etiquetas e procurando o “Made in Portugal”. Se no estrangeiro vendemos cada vez mais, evidenciando uma apetência pela nossa produção, é expectável que o mesmo aconteça em território nacional.