Com uma mão fechada… e a outra estendida – Opinião de João Bruto da Costa
Publicado em 01 de Julho, 2015

Há questões que deixam qualquer um num misto de receio e humor, e que servem para procurar esconder uma incapacidade óbvia do Governo dos Açores em resolver problemas criados pelas duas décadas de socialismo atlântico.

A mais recente foi a ira de Vasco Cordeiro para com Bruxelas pela alegada não defesa da lavoura açoriana na crise que se viu mergulhada, precisamente, por incapacidade de Vasco Cordeiro.

O actual Presidente do Governo foi, há uma década, Secretário Regional da Agricultura e, durante vários quadros comunitários aprovados por Bruxelas, o socialismo açoriano deu as mãos aos milhões de euros enviados com o intuito de preparar os Açores agrícolas para o futuro. E agora reclama de quem nunca negou meios ou apoio à estratégia do poder regional socialista.

O problema é que a estratégia do socialismo dos Açores nunca foi a de desenvolver o que quer que seja sem que isso desse lucro eleitoral.

Uma forma populista de poder total, suportado pelos milhões de Bruxelas que sempre foram usados ao lado de um eleitoralismo decadente e que teima em ser a única forma de governo conhecido pelos socialistas, nestas ilhas.

De fora ficou, portanto, a lavoura na sua mais importante missão de entre os objectivos traçados a cada quadro comunitário; o de estar preparada para o futuro!

Sempre fiz questão de criticar que não se podia dizer que a execução de um quadro de desenvolvimento tinha sucesso quando o quadro seguinte trazia mais verbas, precisamente, porque não estávamos melhores do que o ponto de partida.

Mas nos Açores tem sido assim, e o último quadro comunitário – com centenas de milhões no Prorural – não foi gerido em função do que já se previa ser o futuro, mas apenas em gastar milhões para ganhar eleições. Todos sabiam que isso iria capitular perante o óbvio e agora acha Vasco Cordeiro que, gritando para Açoriano ouvir, vai resolver o descalabro que tem pela frente.

Esta é a parte que o receio toma conta de nós e pensamos como é possível que o feitiço se tenha virado contra o feiticeiro, deixando um rasto de vítimas mais ou menos inocentes pelo caminho. Como seria difícil um futuro em que Vasco Cordeiro continuaria a ser o homem na primeira fila, com uma estratégia que mesmo sem dar resultados, é a única que conhece.

Noutro ponto, é absolutamente cómico imaginar que Vasco Cordeiro será, agora, a “voz” do que quer que seja na Europa. Neste caso, quer passar a encenação de que está a lutar pelos produtores de leite mas na verdade ninguém o ouve, e se ouvirem o governante dos Açores, que tem a seu cargo as relações externas, este diz em Bruxelas que isto não podia andar melhor e que somos mesmo um exemplo, imagine-se, de coesão (isto dito depois do INE publicar que somos os últimos no que toca a coesão).

É de levar ao riso assistir a um Vasco Cordeiro a agitar a bandeira da tragédia e Rodrigo Oliveira, que está na sua dependência directa, a dizer o seu contrário.

Falam conforme o público ou, como diz o povo; “albardam o burro à vontade do dono”!

Imaginar os líderes europeus preocupadíssimos com as críticas de Vasco Cordeiro, depois deste ter feito parte de um regime que, ao fim de 20 anos, a única coisa que faz é queixar-se dos outros, é de facto um momento hilariante para logo sabermos que se exige uma mudança nos Açores que passa por mudar de estratégia de desenvolvimento, pois pedintes de luxo, ao que parece, nem os Gregos podem ser!

É o modelo socialista, com uma mão fechada de orgulho e a outra mão estendida na humilhação!