A SATA percebeu! – Opinião de Luís Pereira de Almeida
Publicado em 27 de Julho, 2015

Após anos de uma administração “ política” da SATA que levou à perda de centenas de milhões de euros, os problemas da SATA crescem a olhos vistos. A dívida cresce, os resultados negativos acumulam-se, ano após ano, e a perda de quota de mercado é agora uma realidade.

O governo tentou proteger a SATA de tudo e todos sem perceber que o mundo e o negócio do transporte aéreo mudava. Com cegueira intelectual hipotecou, em grande medida, um dos grandes ativos da região.

Quando percebeu os problemas que tinha acumulado “ inventou” um plano estratégico que tinha tudo menos estratégia, quando percebeu que lutar contra outras companhias era o mesmo que lutar contra moinhos de vento abraçou as low-cost como sua causa e inventou voos para parte nenhuma como sendo uma grande opção. A história é conhecida e comentada por todos.

A liberalização do espaço aéreo criou uma oportunidade para a SATA Air Açores que a administração e o governo regional dos Açores, mais uma vez, não percebeu. O negócio dos reencaminhamentos ia ser uma oportunidade de negócio enorme para a SATA. Na previram que tal acontecesse e o resultado foi voos esgotados nas ligações entre ilhas.

Nunca acreditaram no novo modelo de transporte aéreo, aqui está mais uma prova do que todos sabem e só alguns dizem. Como resultado, o governo regional dos Açores condenou durante meses grande parte das ilhas açorianas ao isolamento com terríveis efeitos na qualidade de vida das populações e das respetivas economias.

Agora vieram aumentar o número de voos inter-ilhas, ainda bem. Antes tarde do que nunca!

No meio de todo este triste filme, milhares de postos de trabalho em causa. Os excelentes trabalhadores da SATA não têm culpa do seu acionista controlar uma administração cada vez mais incapaz de responder com profissionalismo aos desafios.

Mas quem perde não é Vasco Cordeiro que controla a SATA há longos anos, primeiro como secretário da economia e depois como presidente do governo, quem perde são os açorianos.