A morte da variante e o descaramento socialista – Opinião de Luís Garcia
Publicado em 17 de Julho, 2015

1. Depois da construção da segunda fase da variante à cidade da Horta ter desaparecido da nova versão da Carta Regional das Obras Públicas muita gente desconfiou que seria a sua morte. Não se enganaram. A confirmação chegou, preto no branco, em resposta a um requerimento dos deputados do PSD eleitos pelo Faial: o Governo Regional diz que “não existem meios disponíveis para levar a cabo a construção da 2ª fase da Variante à cidade da Horta, cujo projeto está concluído”.

Em todas as eleições regionais desde 1996, o PS prometeu este investimento aos Faialenses. Como quase todas as obras públicas no Faial, pelo meio, dividiram a variante em duas fases. Fizeram a primeira, obrigados por terem de encontrar, por questões de segurança, uma alternativa à estrada da Lajinha e que ainda não está concluída, pois falta-lhe a iluminação. Prometeram e adiaram a 2ª fase de legislatura em legislatura e agora decretaram a sua morte.

2. Tão grave como não acabar a variante é o motivo invocado pelo Governo: falta de dinheiro no novo Quadro Comunitário de Apoio. E, para o Governo regional, de quem é a culpa? Do Governo da República!

O descaramento para os socialistas não tem limites! Durante quase duas décadas, com condições financeiras vantajosas, o PS e o Governo Regional nunca fizeram a 2ª fase da variante invocando mil e uma desculpas. E agora, em vez de assumirem as suas opções e responsabilidades, de forma condenável e cobarde, culpam outros.

Este mesmo governo regional que elogiou o envelope financeiro do novo Quadro Comunitário de Apoio, que tem dinheiro para fazer obras supérfluas, tais como, um Centro de Artes Contemporânea e uma Casa da Autonomia para servir os caprichos de alguns socialistas, é o mesmo governo que vem agora dizer que não tem dinheiro para fazer uma pequena estrada, de menos de dois quilómetros, que é essencial ao desenvolvimento do Faial.

3. Tive a oportunidade de apresentar, em nome do Grupo Parlamentar do PSD/Açores, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores um voto de protesto contra esta decisão do Governo Regional. Este voto dava eco a um conjunto de outras manifestações de protesto, igualmente apresentadas pelo PSD, e aprovadas por unanimidade pela Câmara e pela Assembleia Municipal da Horta.

Infelizmente, na Assembleia Regional essa unanimidade foi quebrada pelos deputados socialistas eleitos pelo Faial que, na presença do chefe partidário, optaram, como quase sempre, por ficar ao lado do partido e do governo e contra os interesses do Faial. São, por isso, cúmplices de mais esta machadada no desenvolvimento desta Terra.

4. A construção de uma variante à cidade da Horta sempre foi entendida como um investimento estruturante para o nosso desenvolvimento. Permitia, por um lado, criar uma alternativa à estrada da Lajinha. E, por outro, permitiria ligar o sul e o norte da ilha sem passar pela cidade, libertando-a de trânsito. Daqui facilmente se conclui que a variante só cumprirá estes propósitos quando estiver completa.

Este investimento tem ainda óbvias implicações com outros investimentos públicos, tais como, o reordenamento da Frente Mar da cidade da Horta, a construção do novo Quartel dos Bombeiros e o reordenamento do trânsito na cidade. Então uma das premissas da requalificação da Frente Mar não é retirar trânsito da cidade contando para tal com a variante? Como se desvia trânsito da cidade, nomeadamente o pesado, sem lhe criar esta alternativa? A construção do novo Quartel dos Bombeiros para junto da variante não contava com a sua 2ª fase para possibilitar uma saída rápida para o norte da ilha? E a saída do Quartel do centro da cidade não vai permitir reordenar o trânsito e o estacionamento na cidade? Como se percebe todos estes investimentos e melhoramentos estão interligados e pensados numa lógica global.

5. Estou cada vez mais convencido que este rumo de esvaziamento e de adiamento do desenvolvimento do Faial só será travado com uma forte penalização eleitoral do PS. A maioria dos eleitores faialenses tem de perceber que ao dar o seu voto ao PS está a legitimar este rumo.

Ainda na semana passada na Assembleia, no debate sobre o referido voto de protesto, um deputado do PS em aparte dizia: “vocês reclamam mas é o PS que ganha as eleições no Faial”. Podemos criticar, protestar e denunciar, mas se chamados às urnas a maioria dos Faialenses continuar a votar PS, esse caminho de desvalorização do Faial não será seguramente invertido.